A cada quatro empresas com processo de recuperação judicial encerrado, uma volta à ativa

Levantamento acompanhou 3.522 companhias nesta situação em quase dez anos. Deste total, 218 se recuperaram, 728 tiveram a falência decretada e 2.576 ainda estão em andamento

Estudo inédito da Serasa Experian revela que das 3.522 empresas de todos os portes e segmentos em processo de Recuperação Judicial Deferida no país, entre junho de 2005 e dezembro de 2014, 26,9% tiveram seus processos encerrados, ou seja, 946 companhias. Deste total, 728 tiveram a falência decretada e 218 companhias conseguiram voltar à ativa. Isto significa uma taxa de sucesso de 23%: praticamente a cada quatro empresas que passaram pelo processo recuperação judicial deferida, uma conseguiu retomar suas atividades. Os outros 73,1%, que representam 2.576 empresas, ainda estão com processos em andamento nos tribunais. Se for considerado o total de companhias acompanhadas no período, 6,2% tiveram seus pedidos aceitos, julgados e resolvidos no processo de recuperação.

Segundo o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, esta taxa de sucesso de 23% verificada nos casos dos processos que, de fato, foram encerrados está longe da ideal, mas pode ser considerada representativa, já que algumas empresas solicitam o processo quando, na realidade, já estão numa situação irrecuperável. “Se ela já está neste estágio, fica cada vez mais difícil que consiga concluir a sua recuperação e voltar ao mercado. O pedido de recuperação judicial da companhia deve ser requerido quando os primeiros sinais de problemas financeiros começam a ficar evidentes”, diz.

Entre as 218 companhias recuperadas, 206 estão ativas e em operação, enquanto 11 tiveram o CNPJ baixado e 1 teve o registro suspenso. Veja abaixo as informações completas:

Tempo de recuperação

O estudo também revelou que o tempo médio de recuperação para empresas que entraram em Recuperação Judicial Deferida é de quatro anos e sete meses. Segundo os especialistas da Serasa Experian, o sucesso ou fracasso de um processo de Recuperação Judicial depende, inclusive, da qualidade do plano de recuperação aprovado para elas e do sucesso de sua execução. Para buscar reduzir o tempo de recuperação, é importante que o plano proposto pela empresa seja realmente viável e busque considerar também as expectativas dos credores. Assim, poderá assegurar a sua aprovação e cumpri-lo integralmente nos prazos aprovados. “Vale lembrar que companhias em recuperação judicial continuam operando, mantendo postos de trabalho. Dessa forma, não impactam negativamente a economia durante o tempo que dura o processo”, diz Luiz Rabi.

O estudo da Serasa Experian teve início logo após a entrada em vigor da nova Lei de Recuperação Judicial e Falência (Lei 11.101, de fevereiro de 2005). Um dos propósitos da legislação foi a manutenção da empresa e dos seus recursos produtivos, acabando com a concordata e criando as figuras da recuperação judicial e extrajudicial para aumentar a abrangência e a flexibilidade nos processos de recuperação empresarial. Com isso, de acordo com a lei, as companhias ganharam mais alternativas para o enfrentamento das dificuldades econômicas e financeiras.