A inflação se mantém como a principal preocupação do consumidor brasileiro

A inflação se mantém como a principal preocupação do consumidor brasileiro, mostra pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento, que mede a expectativa dos brasileiros em relação à economia, aponta que 54% dos entrevistados responderam que acreditam que a inflação vai aumentar nos próximos seis meses. Uma alta nos preços é esperada por 69% dos entrevistados.

O indicador está 4,3% pior na comparação com o mês passado e 7,4% inferior ao registrado em janeiro de 2011, o que sinaliza aumento do pessimismo com a evolução dos preços. E foi justamente esse quesito que puxou o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) para baixo na comparação anual.
Segundo a CNI, o Inec registrou 113,6 pontos neste mês, alta de 0,2 ponto percentual em relação a dezembro do ano passado, ou seja, o índice ficou quase estável.

De qualquer forma, é o maior patamar desde março do ano passado. Além da inflação, os outros componentes do Inec são: expectativas de desemprego, renda pessoal e compras de bens de maior valor, avaliação da atual situação financeira e do endividamento.

Consumo

Os brasileiros começaram 2012 menos propensos a consumir do que estavam há um ano, no começo de 2011. De acordo com a CNI, apesar de o indicador ter ficado praticamente estável nos últimos meses, o resultado de janeiro foi 1,5% inferior ao obtido no início do ano passado.

Na comparação com dezembro do ano passado, o Inec até subiu um pouco, com variação positiva de 0,2%. Mas como a própria CNI destaca no documento, “o índice encontra-se em patamar elevado na comparação com a série histórica, mas o otimismo já foi maior”.

Emprego

Apesar da melhora na comparação com o resultado de dezembro, a expectativa dos consumidores em relação ao emprego ainda é 3,1% pior do que a verificada em janeiro de 2011. A CNI destaca, porém, que essa variável inverteu a tendência de agravamento do pessimismo que vinha sendo registrada nos meses anteriores.

De acordo com o economista da entidade, Marcelo Azevedo, o maior otimismo das pessoas com o crescimento das vagas no mercado de trabalho se deve à confiança em que os contratos temporários para as vendas de fim de ano sejam efetivados neste começo de 2012.

Da mesma forma, mesmo melhorando na comparação com dezembro, o endividamento das famílias ainda é 4,4% superior ao verificado no começo do ano passado. Segundo os dados, as expectativas em relação à renda pessoal também estão piores , 0,9% mais baixas.

Dentre as diversas perguntas feitas aos entrevistados na pesquisa, a que obteve melhor desempenho na comparação com janeiro de 2011 foi a que aborda a disposição dos consumidores em fazer compras de bens de maior valor. Mesmo com uma queda de 1,7% ante dezembro, o resultado ainda é 2,2% superior do que o registrado no começo do ano passado.

Outro indicador que melhorou, de acordo com a CNI, é a avaliação sobre a situação financeira do País, com índice 1% acima ao do mesmo período de 2011. “O 13º salário pode ter participação nesse maior otimismo sobre a situação financeira e endividamento”, avaliou Azevedo.

A pesquisa da entidade foi realizada entre os dias 12 e 16 deste mês, com 2.002 pessoas em todo o Brasil.