América Latina vira único refúgio para investidores

A recuperação da economia dos Estados Unidos ainda permanece frágil, a crise na zona do euro está longe do fim e exigirá novos pacotes de socorros financeiros para Portugal e Irlanda, além de a China ter se tornado mais um fator de risco para o desempenho das bolsas, moedas e títulos da dívida de países emergentes. Esse cenário mais sóbrio para 2012 é de Joyce Chang, diretora-gerente e chefe de pesquisa para mercados emergentes e de crédito global do banco de investimentos JPMorgan.

Desde 1998 eleita pela revista americana Institutional Investor como a melhor analista soberana para mercados emergentes, Chang considera que como o ritmo de crescimento dos países desenvolvidos neste ano será ainda bastante “anêmico”, o único refúgio dos investidores em busca de maior retorno é a América Latina.

Em entrevista ao Estado, Chang, que supervisiona 170 analistas em 12 países, acredita que os bancos centrais do G-4, em especial o Federal Reserve (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE), deverão manter o dinheiro barato por mais tempo. Até agora, esses bancos já injetaram US$ 6 trilhões nos mercados mundiais, alimentando a forte alta das ações e de outros ativos de mercados emergentes vista no início deste ano. Para o Brasil, que vem atraindo esse enorme fluxo de capital, Chang acredita que novas medidas intervencionistas estão a caminho para segurar a apreciação do real.

O BC do Brasil e o Ministério da Fazenda têm respondido a essas pressões no câmbio e medidas de controle no câmbio estão de volta no radar. A nossa estimativa é de uma taxa de R$ 1,80 no final deste ano. Acredito que o governo continuará com as intervenções, as quais vão evitar que a moeda siga apreciando. O Copom deu um parâmetro que os juros vão cair. O jogo mudou um pouco no Brasil.

Acredito que as agências de classificação de risco queiram ver mais progresso em termos de reformas estruturais, embora as recentes mudanças na previdência foram uma surpresa positiva. As questões fiscais no Brasil não estão relacionadas à solvência, mas estão mais ligadas ao estímulo da demanda doméstica e à melhora da competitividade da economia, mas isso apenas acontecerá com reformas estruturais.