Atividade econômica desacelera em agosto

A atividade econômica brasileira entrou em trajetória de desaceleração. De acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal), o crescimento econômico foi de apenas 0,1% em agosto/11, descontando-se as influências sazonais, taxa inferior à alta de 0,3% ocorrida no mês imediatamente anterior. Em relação ao mesmo mês de 2010, o crescimento da atividade econômica foi de 3,1% em agosto/11, acumulando elevação de 3,5% no período de janeiro a agosto de 2011. Já nos 12 meses encerrados em agosto/11, houve expansão de 4,1% da atividade econômica.

A atividade econômica somente não registrou variação mensal negativa em agosto/11 porque ainda se registrou elevação de 0,3% no setor de serviços. Já a atividade da indústria expandiu-se de 0,2% no mês de agosto e, por sua vez, o setor agropecuário registrou avanço de 0,1%.

Do ponto de vista da demanda agregada, a atividade econômica continua sendo puxada pelo consumo das famílias, o qual cresceu 0,7% em agosto/11, acumulando alta de 5,8% no período de janeiro a agosto de 2011. Os investimentos recuperaram-se parcialmente da queda que haviam apresentado em julho/11 (-2,6%) e subiram 1,5% em agosto. Por sua vez, o consumo do governo cresceu apenas 0,2% em agosto. O setor externo, com as importações crescendo mais que as exportações (2,2% contra 1,8%), também contribuiu para segurar o crescimento da atividade econômica em agosto.

Com a alta de 0,1% da atividade econômica no mês de agosto, a taxa de crescimento trimestral passou de 0,6% no trimestre encerrado em julho/11 para 0,5% nos três meses findos em agosto/11, confirmando a atual trajetória de desaceleração da economia brasileira. É importante frisar que esta desaceleração é fruto das medidas de aperto fiscal e monetário introduzidas pelo governo para se combater a alta da inflação, as quais prevaleceram durante grande parte do ano, bem como do agravamento do quadro externo e da alta das importações.

Assim, a nova postura de redução da taxa básica de juros, em vigor desde o final de agosto, ainda demorará um pouco para surtir efeitos benéficos sobre o ritmo de crescimento econômico brasileiro, salientam os economistas da Serasa Experian.

Metodologia do Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal)

Na construção do Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal) utilizam-se técnicas estatísticas de desagregação temporal com indicadores (Chow-Lin, Fernandez, Litterman e Santos Silva-Cardoso). Cada subcomponente do PIB Trimestral, sem ajuste sazonal, oriundo do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, foi desagregado, por cada uma das técnicas supramencionadas, utilizando-se séries de alta freqüência (mensais) altamente correlacionadas com a série a ser desagregada. Considerou-se como estimativa final de cada série mensal associada a cada um dos subcomponentes do PIB Trimestral a média aritmética simples dos valores mensais obtidos por cada uma das técnicas distintas de desagregação temporal.

As séries mensais finais dos subcomponentes foram utilizadas como indicadores para a obtenção das séries dos níveis hierárquicos imediatamente superiores, sempre considerando como estimativas finais, em cada etapa, as médias aritméticas dos valores obtidos pelas quatro técnicas de desagregação temporal. Tal procedimento foi conduzido até chegar-se à última desagregação temporal, ou seja, do PIB Trimestral Consolidado, sendo que, para tanto, consideramos como indicadores mensais as séries desagregadas dos componentes da oferta agregada.

Para a obtenção das estimativas mensais das séries do PIB Trimestral com ajuste sazonal, cada componente mensal desagregado nos procedimentos anteriores (sem ajuste sazonal) foram ajustados sazonalmente utilizando-se TRAMO/SEATS constituindo-se, assim, os indicadores mensais a serem utilizados nas técnicas de desagregação temporal das séries, com ajuste sazonal, do PIB Trimestral.