Avanço na taxa de juros estimula setor de factoring

Bons ventos para as empresas de factoring neste ano de 2014. Impulsionado pelos recentes aumentos das taxas de juros e o endurecimento da concessão de crédito para as pequenas e médias empresas (PMEs) na rede bancária tradicional, o setor vive uma expectativa de crescimento não inferior a 10% até o fim do período.

Segundo Hamilton de Brito Júnior, presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil (Sinfac), o giro de carteira das quase 150 mil empresas que recorrem ao factoring somou R$ 132 bilhões em ativos movimentados, no ano passado, sendo que mais de 90% da demanda provém de PMEs. De acordo com Luiz Lemos Leite, presidente da Associação Nacional de Fomento Comercial (ANFAC), são sobretudo os empresários de menor porte que enfrentam mais dificuldades na obtenção de empréstimos bancários e, por isso, recorrem ao factoring em busca de recursos. “Com uma instabilidade maior da economia e mais dificuldade de crédito nos bancos, houve espaço para uma evolução do setor”, esclarece.

A operação,também chamada de fomento mercantil, consiste na compra de ativos financeiros de terceiros em troca de recebimento de crédito imediato para fazer, por exemplo,capital de giro ou adquirir matéria-prima. Em 2013, o giro de carteira somou R$ 100 bilhões, segundo levantamento feito pela Anfac – um crescimento de 11% em relação ao período anterior. Uma análise geográfica da atividade mostra que cerca de 60% das empresas clientes estão localizadas em São Paulo, embora outras regiões – como Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais – também tenham começado a aderir à operação. Em Crédito São Paulo, calculam-se2.200 empresas de factoring, segundo o Sinfac. Em todo o País, são 6.600 companhias que negociam títulos recebíveis. Do total de negócios fechados, informa Luiz Lemos Leite, aproximadamente 25% envolvemindústrias demetalurgia. Outras áreas com participação significativa são o agronegócio, o setor mecânico e o comércio.

Ao lado das dificuldades de acesso ao dinheiro impostas recentemente pelas instituições bancárias, outros fatores vêm dando maior ou menor impulso ao setor de factoring, segundo Brito Júnior.Um deles é o projeto de lei (nº 3.615) que visa regulamentar a atividade. Outro ajuste para consolidar a atividade consiste em abandonar cada vez mais ativos financeiros, como os cheques, para se concentrar na compra de duplicatas de pessoa jurídica. Para se firmar no mercado e conquistar novos clientes, o setor de factoring também vem apostando em novas formas de prestação de serviços. Sobretudo para os pequenos e médios empresários, a terceirização da cobrança tem sido vista como um “plus” da atividade, permitindo que eles se concentrem nonegócio. Segundo Brito Júnior, o setor também vem se dedicando à aprovação de recursos para o cliente, fazendo “uma espécie de serviço de administração do risco do crédito”.

Clique aqui para visualizar esta notícia completa.