Banco Central e economistas convergem suas projeções

A previsão do Banco Central (BC) para a inflação está cada mais se convergindo com a do mercado. Especialistas apontam que a provável intenção da autoridade monetária é tentar aumentar sua credibilidade, parcialmente perdida do final de 2010 para o começo deste ano.

“O BC perdeu a confiança dos analistas por não ter aplicado um maior aperto monetário. Agora, depois da divulgação do Relatório da Inflação, a sinalização é de que a autoridade monetária está mais alinhada com as expectativas de mercado. Ou seja, está tentando recuperar a credibilidade”, afirma a economista e sócia da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro.

No final do ano passado, o BC preferiu não elevar a taxa básica de juros (Selic) – que fechou em 10,75% ao ano, taxa esta mantida de agosto de 2010 até janeiro deste ano, quando voltou a subir – apesar de os economistas indicarem que mais altas seriam necessárias para conter a pressão inflacionária e, assim, evitar uma inércia negativa para este ano. Em dezembro de 2010, a inflação fechou em 5,91%, maior taxa em seis anos. Neste ano, a inflação iniciou com taxa de 5,99%, no acumulado em 12 meses, e está em 6,55%, no mesmo período analisado, com base nos últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a maio. Na próxima quinta-feira, o IBGE anuncia o IPCA de junho.

A expectativa tanto do governo quanto da autoridade monetária é que houvesse uma redução da inflação do decorrer de 2011, contudo, segundo Alessandra, o BC, principalmente, já reconhece a expectativa para a inflação como um fator de risco à economia. Por isso, o Banco Central, “ao mostrar uma postura mais realista”, aumentou sua projeção para o IPCA para o final deste ano de 5,6% para 5,8%, superior do centro da meta, de 4,5%, mas dentro da banda de dois pontos percentuais para baixo ou para acima. Enquanto que a previsão do BC sobe, a do mercado cai. Ontem, o relatório Focus mostrou que a perspectiva do mercado para o IPCA recuou novamente, ao passar de 6,16% para 6,15%. Por várias semanas no início do ano, as expectativas foram revisadas para cima.

A Tendências Consultoria espera que a inflação feche em 6,6% neste ano e que ocorram mais três elevações da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a encerrar 2011 em 13% ao ano.

Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, diz ser “natural” a convergência das previsões após seis meses. “Já há um resultado acumulado que sinaliza melhor como deve fechar o ano”, explica. Para ele, essa aproximação das expectativas entre BC e mercado para a inflação deve ficar por volta de 6%, taxa que o professor prevê fechar em 2011. Já sobre a Selic, Alcides Leite acredita que haverá mais uma alta de 0,25 ponto percentual.

O ministério da Fazenda, em seu boletim bimestral divulgado ontem, estima que a inflação deste ano feche em 5,6%, e considera como positivo o fato do mercado financeiro estar a reduzir suas expectativas. Para a Fazenda, por outro lado, somente em 2012, a inflação se convergirá para próximo do centro da meta.

O professor da Trevisan, porém, diz que é ainda muito prematuro afirmar que a inflação deve fechar próximo a 4,5% no ano que vem. A sócia da tendências prevê que o IPCA em 2012 termine em 5,2%.

PIB

Além da inflação, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 da autoridade monetária e do mercado também está muito próxima.

De acordo com o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, os analistas aguardam que a economia deve crescer 3,94%, ligeira redução ante o previsto no documento anterior (3,95%). O BC, segundo o Relatório de Inflação, acredita que a alta do PIB será de 4%.

Já o ministério da Fazenda ainda espera uma expansão de 4,5% neste ano, conforme apontou o boletim bimestral (março/ abril).

“Após o notável crescimento do PIB em 2010, as medidas macroprudenciais, em conjunto com a elevação da taxa de juros e o programa de consolidação fiscal, farão a economia crescer de forma moderada, sem desequilíbrios entre oferta e demanda”, diz o relatório da Fazenda.

“Para o período de 2011-2014, a consolidação do investimento e a força da demanda doméstica serão essenciais para permitir que a economia cresça à média anual de 5,1%”, acrescenta.

O boletim da Fazenda também projeta que a taxa de investimento deve terminar este ano em 19,5% do PIB, superior à taxa de 2010, de 18,4% do PIB.