Banco Central põe a culpa da gastança na inflação e na alta da Selic no início do ano

A gastança do setor público – governos federal, estaduais e municipais – com os juros da dívida pública bateu recorde e chegou a R$ 197,732 bilhões (ou 5,9% do PIB) até outubro, segundo o Banco Central (BC). Foi o patamar mais alto nesse tipo de comparação desde o outubro de 2007 (6,29%). Em 12 meses encerrados em outubro, os gastos com juros corresponderam a 5,87% do PIB.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o aumento do volume de gastos com juros está relacionado aos indexadores que corrigem a dívida, como a inflação e a taxa básica de juros, a Selic, que tiveram alta no início deste ano. Por outro lado, a alta do dólar deve reduzir a relação dívida/PIB este mês. A estimativa é que caia dos 38,2%, registrados em outubro, para 36,8%, em novembro.

“Tivemos uma alta no mês que deve retornar novamente em novembro”, disse Maciel. Se a previsão do BC para este mês se confirmar, será o menor patamar da dívida em relação ao PIB da série histórica, iniciada em 2001.

Quando a cotação do dólar sobe, a dívida cai, porque no cálculo da dívida pública estão incluídos os ativos, em grande parte remunerados em dólar (reservas internacionais). O presidente do Centro Internacional Celso Furtado, Luiz Carlos Prado, reconhece que uma menor valorização do real é benéfica não apenas para a relação dívida/PIB, mas também para a competitividade da indústria brasileira. Prado, no entanto, recomenda cautela com o câmbio, pois ele interfere no endividamento das empresas no exterior e a volatilidade pode ser pior que a sobrevalorização.

“Mudar as regras para evitar que volte a baixar pode ser interessante a partir de uma queda da taxa interna de juros, que não pode estar muito distante da externa. Mas isso deve ser administrado, pois não há uma taxa de câmbio ideal”, disse, ponderando que uma moeda excessivamente desvalorizada, entre outras consequências, deprecia os salários.