Banco Central projeta inflação dentro da meta para este ano

O Banco Central (BC) afirmou que inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 4,4%, abaixo da meta da inflação que é de 4,5%. A autoridade monetária divulgou ontem o primeiro Relatório Trimestral da Inflação de 2012. No texto, o BC deixa claro que isso será possível tendo em vista a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 9,75% ao ano e taxa de câmbio em R$ 1,75. Porém, a projeção para 2013 é de que o IPCA suba e fique em 5,2%.

A inflação plena, segundo o relatório, desenvolve um recuo desde outubro de 2011, chegando ao patamar de 5,85% em fevereiro de 2012, abaixo em 0,16 pontos percentuais que mesmo período do ano passado. Para o BC, o recuo foi determinado pela menor variação dos preços livres.

O professor José Augusto Balian, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), disse que o Banco levou em conta, para a diminuição da taxa, que a atividade econômica está desaquecida e há uma projeção de crescimento baixa, em torno de 3% e 3,5%. Ele completa que a “previsão é otimista mas é provável que aconteça, na pior das hipóteses a taxa [de inflação] fica em 5%”.

Para o professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), José Roberto Savoia “a ideia de que feche em 4,4% em 2012 e 5% em 2013 está muito pautada no processo de redução de atividade [econômica] e nos efeitos da taxa Selic [taxa básica de juros]. Dá uma sensação que vai haver mesmo uma redução de 0,75% na reunião de abril”. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para os dias 17 e 18 do próximo mês.

Sobre o ano de 2013 o especialista afirma que o Banco Central pensa que as medidas de estímulo à economia, que estão sendo feitas agora pela instituição, devam demorar alguns meses para surtir efeito e por isso a pressão da economia pode fazer com que a inflação “suba um pouquinho”.

Para o crescimento econômico do País o documento mantém a mesma projeção da última publicação, de dezembro de 2011, do Produto Interno Bruto (PIB) registrar alta de 3,5%. Para o professor da FIA, o Banco Central mostrou uma postura mais conservadora para a projeção do PIB do que outros agentes econômicos.

O relatório propõe que economias conhecidas como “emergentes” devam desacelerar o ritmo de crescimento. “Apesar da resiliência da demanda doméstica, o ritmo de atividade tem moderado, em parte, consequência de ações de política e do enfraquecimento da demanda externa, via canal do comércio exterior”, explicou o texto.

Durante a apresentação do relatório, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, ressaltou que está em curso um processo de desinflação e que o foco da política monetária “foi e continuará sendo” a inflação, embora o cenário para a atividade econômica também seja levado em conta.

Araújo disse ainda que, nas atas de suas duas últimas reuniões, o Copom decidiu ser mais claro na comunicação. Segundo ele, nem sempre o Copom entende ser recomendável ser assertivo, mas “quanto mais eficientes formos em comunicação, melhor”, completou o diretor.

Cenário internacional

O relatório também enfatiza que o cenário econômico segue com perspectiva de baixo crescimento por um período de tempo prolongado. “De fato, nas economias maduras, em diversos casos o ambiente econômico já é recessivo”, descreve o texto. Para a autoridade monetária os Estados Unidos, apesar de mostrarem uma atividade econômica mais positiva, possuí riscos de contenção fiscal neste e nos próximos anos. Para a Zona do Euro o texto prevê que haja uma postergação da solução definitiva para a crise financeira e fiscal e portanto a região tem perspectiva de redução do crescimento de sua atividade.

A conjuntura externa também deve refletir no cenário do comércio exterior brasileiro. “A demanda externa, fragilizada pela complexa conjuntura global, tem contribuído de forma modesta para o crescimento do quantum exportado. De fato, em 12 meses até janeiro de 2012, o quantum exportado registrou alta de 2,6% em relação aos 12 meses imediatamente anteriores, enquanto o preço médio das exportações se elevou em 21,2%. Já o quantum importado aumentou 8,5% nesse período, refletindo, em parte, a evolução da demanda doméstica, apesar da moderação nos últimos meses, evidenciada no recuo gradual dessa taxa desde o início de 2011”, explica o documento. Apesar disso o BC deixa claro que o acumulado da balança comercial em doze meses atingiu US$ 28,6 bilhões em fevereiro ante US$ 21,5 bilhões em igual período de 2011.