Bancos asiáticos vêm com dinheiro barato

A entrada de bancos chineses e sul-coreanos no mercado brasileiro deve elevar a competitividade no empréstimo a pessoas jurídicas. Para especialistas, a justificativa está na baixa taxa de captação de recursos nos países de origem, em torno de 1% a 3%. A taxa básica de juros na China é de 6,56% ao ano, enquanto no Brasil a Selic está em 11,50% ao ano.

O China Construction Bank (CCB) confirmou ontem (22/11) interesse em estabelecer uma base de operações no Brasil, declarou o vice-presidente da instituição, John Weinshank. O negócio já teria a aprovação do conselho de administração do CCB, com a criação de uma subsidiária.

De acordo com dados do Banco Central, até junho de 2011 o total de ativos do sistema financeiro chega a R$ 190,332 bilhões, dos quais R$ 71,767 bilhões correspondem aos bancos estrangeiros. Os bancos asiáticos possuem R$ 1,858 bilhões.

Segundo Celso Grisi, economista pela FEA-USP e diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, a entrada de instituições financeiras asiáticas deve movimentar o sistema bancário nacional. “Quem vem lá de fora traz funding captado de 1% a 3% ao ano. Dessa forma, aumenta a competitividade porque entram com preços melhores, roubando um grande número e volume de clientes.”

O presidente da agência classificadora de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues, acredita que a captação de recursos com baixas taxas no país de origem deve propiciar mais ganhos aos bancos e que o potencial de crescimento brasileiro é elevado, junto com o aumento da balança comercial com a China.

Segundo Grisi, a estratégia de entrada no mercado nacional deve ocorrer por meio de parcerias ou aquisições de instituições de pequeno e médio porte que necessitam de capitalização. A primeira, aponta Grisi, seria a alternativa mais rápida e segura, pois entram com o capital e adquirem conhecimento.

Já a compra deve ocorrer com instituições com problemas financeiros ou de adaptação às novas regras de capitalização dos bancos, que serão determinadas pelo acordo de Basileia III. “Paraná Banco, Daycoval, Indusval, BMG, Fibra e Cruzeiro do Sul são exemplos de bancos que podem estar na mira para compra ou realização de uma parceria [joint venture]”, ressalta o especialista. Ainda não há uma posição oficial dos chineses sobre este assunto.