Bancos aumentam as provisões e afetam retorno a acionistas

A provisão feita pelos bancos para se proteger da inadimplência tornou-se o centro das atenções nos resultados do terceiro trimestre. Na soma das despesas e saldos registrados até setembro pelo Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Santander, o valor chega a R$ 73,844 bilhões, acréscimo de 11,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando chegou a R$ 66,245 bilhões.

Para o professor de Administração da ESPM, André Accorsi, a provisão consiste em uma reserva para deteriorações futuras, que pode ser utilizada para outras finalidades caso não haja elevação do calote.

O presidente da agência classificadora de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues, concorda que problemas estão no caminho das instituições. “O crédito deve crescer e a inadimplência deve subir marginalmente. Se complicar, podem usar esse saldo. Como não sabem qual será a profundidade e impactos no Brasil da crise externa, se preparam para um aumento da inadimplência.”

O banco mais prejudicado pelo mercado por conta do aumento das provisões foi o Banco do Brasil. O saldo de PDD do BB expandiu 2,6% nos primeiros nove meses do ano, para R$ 18,611 bilhões, com despesas de R$ 8,764 bilhões, o que representa uma alta de 7,8% no mesmo período. Apesar de ter aumentado menos suas provisões que o Itaú Unibanco, em termos proporcionais, os analistas afirmam que no caso do BB as margens de lucro foram afetadas, ao contrário do banco privado.