Bancos públicos ampliam a liderança no saldo de crédito

O saldo de crédito do sistema financeiro nacional atingiu 48,8% de participação no Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro de 2011, para o total de R$ 2,026 trilhões. Apesar da desaceleração no ritmo de crescimento total, os bancos públicos mantêm expansão expressiva, ao responder por 21,3% do PIB, enquanto em janeiro de 2011 o volume era de 18,9%. As instituições privadas nacionais e estrangeiras correspondem a 19,1% e 8,4%, respectivamente. Segundo especialistas, a principal razão está nos incentivos do governo federal em um cenário de incertezas, no qual houve redução da concessão por parte das instituições financeiras de capital privado.

Onde os governos federal, estadual ou municipal detêm participação superior a 50%, o saldo em janeiro de 2012 atingiu R$ 884,424 bilhões, acréscimo de 0,10% ante o mês anterior, que totalizou R$ 883,563 bilhões. Já nos bancos privados de capital nacional, o estoque atingiu R$ 792,095 bilhões, recuo de 0,38% na comparação com dezembro de 2011, de R$ 795,111 bilhões. A queda se repete entre os bancos privados estrangeiros, de 0,37%, de R$ 351,323 bilhões em dezembro para R$ 350,014 em janeiro.

Para o diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, Celso Grisi, a diferença de crescimento em um cenário de desaceleração do mercado ocorre devido a dois motivos. “Foi impulsionado com o intuito do Governo de usar os bancos oficiais para aplicar com eficácia as medidas econômicas. Injetou mais de R$ 50 bilhões pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o Banco do Brasil com crédito para o consumo, além do Banco do Nordeste e Banco da Amazônia”.

A segunda justificativa, segundo Grisi, esteve na retração dos bancos privados em um momento de incertezas com a crise na Europa e alta da inadimplência, principalmente em pessoa física. “É positivo ao conceder para investimentos. Além disso, fizeram uma oferta mais seletiva e os bancos oficiais socorreram as pequenas e médias empresas, evitando quebras, desemprego, etc.”

A carteira de crédito do BNDES chegou a R$ 426 bilhões em 31 de dezembro de 2011, representando 20,8% da oferta total de crédito do sistema financeiro nacional. O maior banco nacional em total de ativos, R$ 981,2 bilhões ao final de dezembro, o Banco do Brasil, concentra 19,2% de participação no mercado de crédito (market share, na sigla em inglês), com o saldo de R$ 465,1 bilhões nas operações ampliadas, que incluem garantias prestadas e os títulos e valores mobiliários. Para este ano, a expectativa do BB é de um cenário positivo, com expansão entre 17% e 21% na carteira.

Entre os concorrentes privados, o Itaú Unibanco cresceu 19,1% sobre 2010, para o estoque de R$ 397 bilhões. Entretanto, a projeção para 2012 é mais modesta, com alta de 14% a 17%. Já o Bradesco tem a perspectiva de expandir entre 18% e 22% .

O presidente da agência classificadora de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues, concordou que o papel de fornecedor é promovido pelo Governo. “Eles desempenham este papel desde 2008, quando os bancos privados colocaram o pé no freio. Mas não sei se perdura por muito tempo”.

A Caixa Econômica Federal também obteve uma significativa expansão no último ano, de 42%, para o total de R$ 249,5 bilhões. Ontem informou que contratou R$ 12 bilhões em crédito imobiliários nos dois primeiros meses de 2012, alta de 30,5% em relação ao ano passado, quando emprestou algo em torno de R$ 8,7 bilhões. A expectativa para 2012 é ultrapassar R$ 90 bilhões de financiamentos imobiliários. Em 2011, a carteira apresentou saldo de R$ 152,9 bilhões, aumento de 41,1% em relação ao registrado no ano anterior.

Com atuação no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Banrisul totalizou saldo de R$ 20,393 bilhões , alta de 19,73% ante 2010. Para 2012, a projeção é de crescimento entre 15% a 20%. O regional Banco da Amazônia obteve alta superior, de 77,41%, para estoque de R$ 1,280 bilhão. Em contrapartida, o Banco do Nordeste teve crescimento de 3,5% nos empréstimos contratados, o total de R$ 21,1 bilhões.