Bancos tendem a priorizar pequenas e médias empresas

No segundo semestre de 2011, o mercado de crédito deve permanecer em ritmo de crescimento, com fechamento do ano em expansão de 18%. No entanto, as concessões serão direcionadas a carteiras de maior qualidade, com menor índice de inadimplência, segundo especialistas entrevistados por este DCI. Neste contexto, os bancos devem buscar de forma mais intensa as micro, pequenas e médias empresas, consignado e imobiliário.

O foco nas companhias de menor porte é o caso do HSBC que, neste segundo semestre, disponibilizará R$ 1,5 bilhão em crédito parcelado nos produtos Capital de Giro e Giro Fácil para o segmento das pequenas e médias empresas. De acordo com a instituição, o objetivo é atender as necessidades características do final do ano, como aquisição de matéria-prima, reposição de estoques, novas contratações e pagamento do 13º salário. Nos últimos 12 meses, a carteira do HSBC Empresas cresceu 44%, e a base de clientes, 13%.

O Bradesco também irá investir no setor, com ampliação em mais de R$ 200 milhões dos recursos destinados às linhas Giro Simples Bradesco e CDC Flex Bradesco, voltadas para micro e pequenas empresas, as de faturamento de até R$ 2,4 milhões. O segmento de micro, pequenas e médias empresas corresponde a 28,4% da carteira total do banco, com elevação de 29,4% na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior, com estimativa de expansão de 30%. Para grandes empresas, a elevação foi de 23,4% e pessoa física de 16,4%.

Para Nicola Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), as instituições financeiras passam a investir mais em empréstimos para o segmento por conta do aumento da inadimplência. “Há uma ênfase em pequenas e médias empresas, porque os bancos necessitam limpar os ativos, o que é natural. Não deixaram de ofertar para PF, mas para fazer mais negócios o segmento é de empresas.”

O assessor econômico do Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida, concorda que há um aumento da oferta, mas ressalta a postura dos bancos na análise dos clientes para haver compensação dos investimentos. “Crescerá a demanda pelas pequenas e médias empresas, mas os bancos precisam acompanhar a pontualidade de pagamentos.”

Dados do Banco Central até maio de 2011 revelam que nos primeiros meses de 2011 a elevação permanece em ritmo equilibrado em PF e PJ. As concessões direcionadas às empresas totalizam R$ 113,844 bilhões, variação de 16,4% no trimestre. Em pessoa física, o valor chegou a R$ 76,603 bilhões, aumento de 12,8%.

No que se refere às tendências para consumidores no segundo semestre, o professor Nélson de Souza, do Ibmec, acredita em um mercado mais seletivo e caro. “O crédito deve continuar em ritmo de crescimento, provável que tenha até expansão nos próximos meses. No entanto, não deve continuar tão fácil como antes, principalmente para os consumidores”. Souza explica que a dificuldade, colocada pelas instituições financeiras, está relacionada a elevação da taxa básica de juros (Selic), em 12,50% ao ano, Imposto sobre Operações Financeiros (IOF) e endividamento da população. “Mais de 50% têm dívidas que correspondem a oito meses de salário”, pontua o professor.

Prazos

Os altos índices de inadimplência, de 5,1% em PJ e de 3,9% em PF, de acordo com o Banco Central, tendem a interferir também nos prazos praticados pelos bancos. Segundo Marcel Solineo, economista-chefe e superintendente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a tendência é de uma redução gradativa. “Esperamos uma diminuição dos prazos, porque quanto mais prazo, mais risco [de inadimplência].”

Para Solineo, é provável mais uma alta da Selic para conter o consumo e, assim, da inflação. “Afora isso, deve vir mais alguma medida para conter os prazos, como a que vimos no final de 2010.”