BC divulga nota de Política Monetária e Operações de Crédito do SFN

O Departamento Econômico do Banco Central divulgou a nota à imprensa de Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro Nacional, com os dados atualizados até outubro de 2011. Confira a íntegra da nota abaixo:

I – Evolução dos agregados monetários

A média dos saldos diários da base monetária alcançou R$185,5 bilhões em outubro, assinalando acréscimos de 0,6% no mês e de 4,8% em doze meses. No mês, verificou-se elevação de 1,3% no saldo médio do papel-moeda emitido e redução de 1,5% nas reservas bancárias.

Os fluxos mensais dos fatores de emissão monetária foram contracionistas em R$5,4 bilhões nas operações do Tesouro Nacional e em R$4,5 bilhões nos depósitos de instituições financeiras, os quais incluem os recolhimentos compulsórios. Esses impactos foram neutralizados pelas operações com títulos públicos federais, expansionistas em R$9,9 bilhões, que refletiram resgates líquidos de R$8,7 bilhões de títulos do Tesouro Nacional no mercado primário e compras líquidas de R$1,2 bilhão no mercado secundário.

Os meios de pagamento restritos (M1), considerada a média dos saldos diários, atingiram R$255,7 bilhões, após aumento de 0,9% no mês, decorrente de crescimentos de 0,8% no saldo médio do papel-moeda em poder do público e de 1% nos depósitos à vista. Em doze meses, o M1 avançou 1,5%, variação resultante da elevação de 7,8% no papel-moeda em poder do público e da retração de 3,1% nos depósitos à vista.

O agregado M2, que corresponde ao M1 acrescido dos depósitos para investimentos, depósitos de poupança e títulos privados, registrou alta de 0,1% em outubro, totalizando R$1,5 trilhão. O saldo da poupança cresceu 0,6% no mês e atingiu R$411,9 bilhões, refletindo captação líquida de R$1,1 bilhão. Os títulos privados apresentaram expansão de 0,2%, alcançando R$867,9 bilhões, apesar das captações líquidas negativas de R$3,3 bilhões nos depósitos a prazo.

O M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, totalizou R$2,9 trilhões, assinalando crescimento mensal de 0,6%, favorecido pela expansão de 1,3% no saldo dos fundos de renda fixa, que somou R$1,3 trilhão. O M4, conceito que compreende o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros somou R$3,4 trilhões, após elevação de 1% no mês, impulsionada pelo avanço de 3,5% no saldo dos títulos federais, que atingiu R$519,3 bilhões. Nos últimos doze meses, o M4 acumulou expansão de 15,5%.

II – Operações de crédito do sistema financeiro

O saldo total do crédito bancário situou-se em R$1.946 bilhões em outubro, com aumentos de 0,8% no mês e de 18,4% em doze meses. O crescimento mais moderado observado em outubro foi, em parte, influenciado pela greve dos bancários ocorrida naquele mês. A relação empréstimos totais/PIB permaneceu inalterada em 48,5%, ante 45,6% em outubro de 2010. As participações relativas dos bancos públicos, instituições privadas nacionais e estrangeiras no crédito total do sistema financeiro mantiveram-se relativamente estáveis, situando-se em 42,4%, 40,2% e 17,4%, respectivamente.

O volume de crédito com recursos livres totalizou R$1.257 bilhões, após elevações de 0,8% no mês e 16,4% em doze meses, correspondendo a 64,6% do total de operações do sistema financeiro. O saldo referente a pessoas físicas cresceu 1,1% no mês, ao atingir R$629,4 bilhões, refletindo a maior utilização do cheque especial e do cartão de crédito, que compensaram a queda na contratação de crédito pessoal, associada à greve bancária. No segmento corporativo, o estoque atingiu R$627,5 bilhões, após aumento mensal de 0,5%, resultante do incremento de 0,8% nas operações com recursos domésticos e da retração de 2,1% nas lastreadas em moeda estrangeira.

O crédito direcionado alcançou R$689,4 bilhões em outubro, expandindo-se 0,7% no mês e 22% em doze meses. A variação mensal decorreu das elevações de 2,7% no segmento habitacional e de 1,2% no crédito rural, em oposição à retração de 0,2% no saldo relativo ao BNDES, que corresponde a 57,8% do segmento.

II.1 – Distribuição setorial do crédito

O crédito ao setor privado, computadas as operações com recursos livres e direcionados, refletiu, em outubro, menor demanda das atividades empresariais, assim como os efeitos da apreciação cambial nos financiamentos lastreados em recursos externos. Nesse contexto, os saldos dos empréstimos à indústria, comércio e outros serviços totalizaram, nessa ordem, R$404 bilhões, R$198,2 bilhões e R$332,2 bilhões, acumulando avanços de 14%, 20,6% e 17,8%, respectivamente, nos últimos doze meses.

Os financiamentos habitacionais destinados à aquisição e construção de moradias se mantêm como a modalidade de crédito de crescimento mais intenso, atingindo saldo de R$189,6 bilhões e participação de 4,7% no PIB, após expansão de 46,9% em doze meses. Na mesma base de comparação, a carteira de crédito rural alcançou crescimento de 12,4% e volume de R$136,5 bilhões, destacando-se, em outubro, o aumento de recursos para custeio da safra 2011/2012.

O saldo dos financiamentos destinados ao setor público recuaram 2,7% em outubro, totalizando R$72,4 bilhões. Essa evolução resultou das reduções de 4,7% na dívida referente ao governo federal, a qual refletiu o efeito da apreciação cambial em operações indexadas ao câmbio, e de 0,6% na dívida bancária dos estados e municípios.

II.2 – Operações com recursos livres – Crédito referencial para taxas de juros

A evolução do crédito, em outubro, foi influenciada pela greve bancária, que restringiu parcialmente o acesso aos serviços bancários, afetando, principalmente, o crédito a pessoas físicas, em particular o crédito pessoal e o consignado, modalidades cujas médias diárias das concessões recuaram 4,7% e 13,4% no mês. Dentre as operações destinadas às empresas, as contratações médias diárias destinadas a capital de giro recuaram 0,4% e as relativas a conta garantida aumentaram 6,4%.

A intensificação da demanda por modalidades de crédito prontamente disponíveis e de custo mais elevado resultou em elevação da taxa média de juros às famílias. Assim, a taxa média de juros do crédito referencial aumentou 0,5 p.p., situando-se em 39,5% a.a. em outubro, a partir da elevação de 1,3 p.p. na taxa referente a pessoas físicas, que alcançaram 47% a.a., e da redução de 0,2 p.p. no custo médio das operações a pessoas jurídicas, situado em 29,8% a.a.

A maior dificuldade para a renovação de operações e para o pagamento de prestações, em decorrência da interrupção das atividades bancárias, condicionou a evolução mensal dos indicadores de inadimplência. Dessa forma, os atrasos de 15 a 90 dias subiram 0,5 p.p. nas operações a pessoas físicas, atingindo 6,9%, enquanto, nas referentes a pessoas jurídicas, aumentaram 0,2 p.p., situando-se em 2,2%. As taxas de inadimplência, considerados os atrasos superiores a 90 dias nos respectivos segmentos, alcançaram 7,1% e 4%, após elevações de 0,1 p.p. e 0,2 p.p., nessa ordem.