BC surpreende o mercado e corta taxa básica de juro em 0,5 ponto

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou em 0,5 ponto percentual a taxa Selic, ontem, antecipando de forma surpreendente a convicção de que o governo vai cumprir seus novos compromissos fiscais. Pesou na decisão do comitê, que baixou os juros para 12% ao ano, a forte deterioração da situação externa e o inquestionável desaquecimento da economia doméstica.

O dados mais recentes indicam que os países centrais vão crescer muito menos do que se imaginava há poucos meses. Isso coincide com os indicadores que mostram a economia brasileira em franca desaceleração, dando mais peso à queda no ritmo de crescimento da atividade econômica. O desaquecimento, no Brasil, pode ser mais forte do que o governo imaginava. Esses são fatos que, segundo fontes do governo, trabalham a favor da queda da inflação.

A decisão do Copom não foi unânime. Cinco diretores votaram pelo corte da Selic e dois pela manutenção da taxa em 12,50% ao ano. Houve, segundo fontes oficiais, uma sequência de fatos que apontaram para a decisão de ontem e o mercado já vinha derrubando a taxa de juros. Em agosto, os DIs mais longos, com vencimento em 2015, 2017 e 2021 caíram 1,5 ponto percentual.

Desde o Copom de julho, a direção do BC, em vários momentos, destacou a relevância do que está ocorrendo nos países avançados para o processo de desinflação no Brasil e mencionou que haveria uma reavaliação do cenário externo para efeito da política monetária. No dia 9 de agosto, o Federal Reserve deixou claro que a normalização da política monetária nos Estados Unidos está adiada por um ano, devendo ocorrer só a partir do segundo semestre de 2013. As economias avançadas estão, também, sob processo de forte restrição fiscal.

Ao mesmo tempo, o governo da presidente Dilma Rousseff se colocou em posição ativa e começou a sinalizar, há duas semanas, que manterá a disciplina fiscal neste e no próximo ano. Fazer o corte dos juros ontem e não esperar a reunião do Copom de outubro, como muitos do mercado previam, refletiu esse conjunto de eventos. No Relatório de Inflação deste mês o BC vai reduzir sua previsão de crescimento do PIB para este ano.

O que destoou do roteiro foi o Orçamento da União para 2012. Enviado ontem ao Congresso, o projeto expande o gasto público muito acima do crescimento do PIB – este mesmo superestimado em 5%. Mas isso não é problema, garantem fontes do governo. Há muito tempo as contas públicas são administradas por decreto e não pelas previsões orçamentárias.