BC terá que continuar elevando taxa Selic

Por causa de uma inflação pressionada por preços de alimentos no curto prazo, o Banco Central (BC) terá que continuar elevando a taxa básica de juros (Selic). Neste ano, o índice CRB Food, que reflete a variação de preços de alimentos no mercado internacional, já avançou 15% devido a problemas climáticos em países como Estados Unidos e Brasil. Por causa disso, a economia brasileira pode enfrentar um novo choque de oferta, com impacto nos preços. Esta é uma novidade não contemplada na recente comunicação do BC.

A análise é do economista Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Sekular Investimentos e ex-diretor do BC. “O Banco Central reduziu o passo [do aperto monetário], mas, a não ser que haja uma melhora substancial, que não está com cara no curto prazo que vá acontecer, acho que existe uma possibilidade razoável de não conseguir parar o ciclo de alta dos juros. Vai ter que continuar. Reduziu o passo e disse: Eu gostaria de parar, mas desde que tenha condições. O que parece é que as condições não vão se apresentar”, disse ele.

Figueiredo explicou que, mesmo com a queda nos últimos meses dos preços livres, o quadro inflacionário continua desafiador. Uma das razões são os preços agrícolas e outra é que, ao contrário do que ocorreu em 2013, quando o governo conteve reajustes de tarifas públicas, os preços administrados vão aumentar em 2014.