BNDES vai investir mais em pequenas e médias empresas

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou na última sexta-feira que o órgão está investindo mais em pequenas empresas. Segundo ele, “pequenas empresas são fundamentais para criar eficiência para as cadeias produtivas brasileiras, os pequenos fornecedores são essenciais para tornar a cadeia inteira produtiva”. O representante do banco conversou com jornalistas após participar da reunião de Mobilização Empresarial pela Inovação, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Também esteve no encontro o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp.

Coutinho afirmou que existem duas ferramentas importantes no BNDES para estimular as pequenas empresas, o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) que financia a compra de equipamentos “cerca de 2/3 [dos investimentos do PSI] tem sido dirigido a pequenas empresas, o que mostra um processo de reequipamento das pequenas empresas, elas precisam aumentar a produtividade e automação é um dos vetores para aumentar a produtividade”, completou. A outra ferramenta citada pelo presidente foi o Cartão BNDES “o cartão tem sido uma ferramenta muito importante para pequenas empresas e ele tem permitido também a compra de serviços tecnológicos, de consultoria para gestão, e de implantação de sistemas de informática”. O peso das pequenas empresas aumentou no total de desembolsos do banco e teve participação recorde de 37% no último ano.

“É preciso que as pequenas empresas se mostrem mais eficientes, mais produtivas de maneira a ajudar que o conjunto do sistema industrial brasileiro possa resistir e recuperar sua capacidade produtiva e superar os problemas atuais da indústria. Nós precisamos zelar pela capacidade de reação da nossa indústria”, completou o presidente.

O ministro da Ciência e Tecnologia afirmou, ao sair da reunião, que a política do governo “visa estimular que os empresários sejam protagonistas do sistema de ciência e tecnologia e eles se dispõem também a exercer esse protagonismo. Temos que fortalecer isso para que transforme rapidamente em resultados concretos, a favor da capacitação tecnológica das empresas, dar um intercâmbio cada vez mais incrementado entre o sistema gerador de conhecimento, que são os institutos tecnológicos, com o sistema empresarial de produção”.

O ministério prevê uma política para que em quatro anos, os investimentos em ciência e tecnologia sejam iguais por parte do governo e da iniciativa privada. “A questão do desenvolvimento sustentável do País é uma responsabilidade da sociedade como um todo e não um problema de um governo só, de um posicionamento político.”

Raupp citou a Empresa Brasileira de Pesquisas Industriais (Embrapi) como uma das estimuladoras desse processo de investimento da iniciativa privada em inovação.

A Embrapi foi criada no ano passado em uma parceria do Ministério de Ciência e Tecnologia e da CNI. Segundo o ministro, “a Embrapi vai ter uma governança que vai estimular cada vez um maior número de organizações existentes, ou a serem criadas, que possam ser parceiras nossas para que elas trabalhem na pauta definida pelas empresas”.

O BNDES concorda com o ministro e acredita que isso pode ajudar empresas nacionais de todos os tamanhos “o movimento não é um movimento do governo é um movimento do setor privado, é dobrar o esforço empresarial em matéria de inovação. Isso significa, para as grandes empresas multiplicar seus laboratórios de pesquisa e também ajudarem a organizar a cadeia produtiva, significa para as médias empresas um esforço muito grande de ampliação das suas atividades de engenharia de produtos, engenharia de processos se aproximando da fronteira da pesquisa”. O Banco deve aumentar “substancialmente” seu desembolso, junto com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para o setor de inovação, passando do total de R$ 3 bilhões no ano passado para mais de R$ 4,5 bilhões no final deste ano.

O presidente da CNI, Robson de Andrade, afirmou que “vamos procurar trabalhar com o Sebrae [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas] e com a Finep para que essas empresas possam trabalhar com inovação e com desenvolvimento e tecnologia. É uma forma até de melhorar a competitividade buscando linhas de financiamento que possam levar para essas empresas e elas levarem tecnologias a um custo mais baixo”.

A CNI citou uma parceria, já em curso, no montante de R$ 1,7 bilhão entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o BNDES para implantação de laboratórios e centros de pesquisas em diversas regiões do País. Nessa ação serão criados 38 centros de tecnologia e 23 centros de inovação em um período de dois anos.