Bolsa no Brasil sente mais os efeitos da turbulência global

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi a que mais sentiu os efeitos do rebaixamento da nota soberana dos Estados Unidos pela Standard & Poors na noite da última sexta-feira. O Ibovespa, índice mais importante do mercado local, registrou queda de 8,08%, para 48.668 pontos, a maior em um dia desde 22 de outubro de 2008, ápice da primeira fase da crise econômica mundial, quando a queda do índice foi de 10,18%.

Já o dólar registrou alta de 1,45% frente ao real, e fechou cotado a R$ 1,610. No entanto, analistas afirmam que esta alta da moeda norte-americana não vai durar muito. Passado o momento de pânico, vai se repetir o processo de 2008, quando o dólar começou a perder valor gradualmente, até chegar ao R$ 1,55 atingido semanas atrás. Mas desta vez, segundo analistas, a queda será mais forte, e a moeda americana pode cair abaixo desse patamar.

Na Europa, as ações caíram para o menor nível em dois anos. O índice FTSEurofirst 300, que mede o desempenho das principais ações do continente, recuou 3,4% e fechou ontem em 936 pontos: este é o menor valor desde agosto de 2009. Os mercados asiáticos também iniciaram a semana em queda ainda mais acentuada do que a registrada na sexta-feira.

Ontem, a S&P também anunciou o rebaixamento das companhias de hipoteca Fannie Mae e Freddie Mac. Para agravar a situação, a seguradora AIG resolveu processar o Bank of America por fraude na venda de títulos podres.

O presidente norte-americano, Barack Obama, tentou mostrar otimismo ante a decisão da S&P de rebaixar a nota da dívida americana de “AAA” para “AA+” pela primeira vez desde 1917. “Não importa o que uma agência diga, nós sempre fomos e sempre seremos uma nação AAA. Apesar de todas as crises que passamos, temos as melhoras universidades, as melhores empresas, e os mais inventivos empreendedores”, disse Obama em pronunciamento no início da tarde de ontem, numa tentativa de acalmar os mercados, sem sucesso.