CDB inova em rentabilidade para competir com letras

Nos últimos doze meses fechados ao final de março de 2012, o estoque de certificados de depósitos bancários (CDBs) cresceu 8,3% ou R$ 51,23 bilhões na Cetip. “O CDB teve que se reinventar para enfrentar a competição das letras financeiras (LF), das letras de crédito imobiliário (LCI) e dos certificados de crédito imobiliário (CRI), e passou a oferecer maior rentabilidade e prazo”, avaliou o sócio-fundador da AFB Investimentos, Fernando Bento.

No período de um ano, as aplicações em CDBs atrelados a taxa de Depósito Interbancário (DI) cresceram 7,86% ou R$ 46,27 bilhões, o CDB pré-fixado apresentou queda de 10,1% ou redução de R$ 1,92 bilhão, ao passo, que o estoque na modalidade de CDB pós-fixado, principalmente os que garantem índice de preços (IPCA ou IGP-M) mais juros reais quase triplicaram, de R$ 3,6 bilhões em 31 de março de 2011 para R$ 10,479 bilhões em 30 de março de 2012.

“A modalidade de CDB atrelado ao IPCA foi a que mais cresceu e já alcançou 10% da nossa carteira”, contou ao DCI o diretor do Sofisa Direto, Bazili Swioklo.

O Banco Sofisa oferece três vencimentos para a modalidade: o CDB de dois anos paga IPCA mais 4,45% ao ano; o CDB de três anos remunera IPCA mais 5,15% ao ano; e o CDB com vencimento para 15 de maio de 2015 promete ganho de IPCA mais 5,32% ao ano. Como comparação, o título público NTN-B do Tesouro Direto, também atrelado ao mesmo índice de preço e vencimento na mesma data paga IPCA mais 4,29% ao ano.

Mas esse crescimento poderia ter sido maior face a redução do estoque em R$ 20,21 bilhões no primeiro trimestre de 2012, efeito considerado sazonal pelo fato do investidor sacar da aplicação para pagar despesas típicas de início do ano como o imposto predial e territorial urbano (IPTU) e imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA).

“Na semana passada, criamos a linha Saque Especial para clientes que possuem investimentos no banco, se ele precisar de dinheiro sem ter que mexer na aplicação, a taxa de juros é de 1,95% ao mês”, informou Swioklo, sobre a disponibilidade de crédito aos investidores do banco.

Na opinião de Fernando Bento, o retorno do CDB atrelado ao IPCA é atraente, mas esbarra na cultura do brasileiro pela liquidez diária. “A queda da taxa básica de juros fará o investidor olhar a rentabilidade líquida e alongar.”

Quanto ao risco, Bento esclarece que o investidor está seguro no CDB até o volume de R$ 70 mil por CPF e por instituição financeira, o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito. “Superado esse montante, o risco do sistema passa a ser o risco da instituição financeira, por isso, os grandes bancos pagam menos pelo CDB.”

Swioklo, do Sofisa, diz que os grandes bancos estão pagando cerca de 80% do CDI no CDB. “Se o investidor deixar o dinheiro por menos de seis meses, o IR de 22,5% deixa esse CDB com rentabilidade líquida de 5,9% ao ano, inferior a da poupança”, diz.

No produto tradicional, o CDB do Sofisa paga 100% do CDI, que descontado o IR garante retorno líquido proporcional de 7,37% ao ano em seis meses; 7,85% ao ano em 12 meses; e 8,09% ao ano, se o investidor permanecer 24 meses na aplicação. Na modalidade pós-fixada em CDB-DI com vencimento em três anos, o Sofisa oferece 110% do CDI.

Na modalidade CDB pré-fixada, a Sofisa promete 9,4% ao ano. “O CDB pré, só recomendamos para investidores com objetivo e metas bem definidos, como por exemplo, rentabilizar o depósito até a data de entrega das chaves de um apartamento”, sugere Bazili Swioklo, do Sofisa Direto.

Letras

Para não perder espaço do CDB para as letras que possuem isenção de IR, o Banco Sofisa também passou a oferecer LCIs aos investidores. Mas diferente da maior parte da concorrência que exige cota de R$ 300 mil, a cota mínima no Sofisa Direto é de R$ 1. Em três meses, o retorno é de 91% do CDI; em 6 e 9 meses, de 93% do CDI; e em 12 meses, de 94% do CDI.

A instituição financeira está com índice de Basileia de 20,6%, e utiliza os recursos captados (funding) para empréstimos e financiamentos aos seus 1,5 clientes pequenas e médias empresas.