Crédito em mutação

O crédito nos três maiores bancos privados brasileiros, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, cresceu em linha com o sistema brasileiro em 2011, com alta de 19% na média. E o saldo alcançou R$ 940 bilhões. Some-se a isso as posições finais da Caixa Econômica Federal e a do Banco do Brasil até setembro e as cinco instituições terão bancado a generosa parcela de R$ 1,6 trilhão ou 80% do crédito do país no ano passado. Em 2012, o desempenho dessas operações pode até ser reproduzido, mas o seu impacto macroeconômico vem se desgastando. A alavanca sustentada por mais de uma década deverá ser revista, passando do crédito ao consumo para os investimentos.

E chamar os bancos públicos para a tarefa é receita líquida e certa. Primeiro, porque essas instituições representam políticas de governo. Segundo, elas têm exibido expansão de operações bem acima do sistema. Na Caixa, o crédito saltou 42% de 2010 para 2011. O resultado do Banco do Brasil sai na semana que vem. Mas em nove meses de 2011 a taxa de crescimento de sua carteira alcançou 21% frente a igual período do ano anterior.

“O crédito tem papel importante no ritmo da atividade e continuará tendo”, lembra credenciado interlocutor do blog Casa das Caldeiras. “Mas hoje ele é menor. Ao passar de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) para praticamente 50% em 10 anos, o próprio mercado sinaliza que boa parte das famílias brasileiras deve ter usado parcela considerável da sua capacidade de endividamento – ou talvez toda a sua possibilidade de se endividar”, afirma essa fonte.

As características das operações voltadas basicamente às pessoas físicas – como cheque especial e cartão de crédito – justificam estado de alerta de analistas, instituições financeiras e do Banco Central. No ano passado, o BC lançou o mapeamento dos Indicadores de Condições de Crédito e, neste ano, ampliará a base de dados do Sistema de Informações de Crédito (SCR) que passará a cobrir 96% de todos os empréstimos realizados no Brasil. O monitoramento de dados alcançará todas as transações com valores iguais ou superiores a R$ 1 mil.

Em tempo: o Sistema de Informações de Crédito (SCR) foi instituído no Brasil há oito anos com o objetivo de permitir à supervisão do BC aferir as condições econômico-financeiras das instituições, com o propósito de proteger seus depositantes. Mas o sistema também minimiza os riscos das carteiras, o que favorece a redução dos spreads bancários. A primeira experiência de central de risco de crédito foi implantada pela Alemanha em 1934.