Crédito para pessoa física responde por metade dos recursos livres

Como resultado da condução recente da política macroeconômica, o crédito para pessoa física diminuiu sua expansão no início de 2011.

De acordo com levantamento elaborado pelo Ministério da Fazenda, com dados do Banco Central do Brasil, essa linha de crédito cresceu 5,2% no primeiro quadrimestre, em relação a 2010. Na comparação 2010/2009, a alta foi de 5,7%.

Denominado “Economia Brasileira em Perspectiva”, o estudo ainda detectou que, apesar do crescimento mais moderado, o crédito para pessoas físicas corresponde a pouco mais da metade do total de crédito na modalidade recursos livres.

Operação de crédito em expansão

O crescimento dos empréstimos neste segmento se deu por força de um movimento para linhas de crédito menos arriscadas e onerosas, como o crédito consignado. Um aumento que contribui para melhoria de todo o portfólio de crédito.

Na tabela abaixo é possível verificar a participação em percentual de cada linha de crédito em abril de 2011 e em setembro de 2008:

Modalidade Setembro/2008 Abril/2011
Crédito pessoal consignado 19,26% 24,35%
Crédito pessoal – Ex consignado 12,59% 13,12%
Aquisição de bens e leasing 38,85% 34,26%
Cartão de crédito 5,51% 5,58%
Cooperativas 4,16% 4,64%
Cheque especial 4,13% 3,38%
Financiamento imobiliário 0,82% 1,57%
Outros 14,68% 13,09%
Total emprestado R$ 384,3 bi R$ 582,7 bi

Fonte: BC/Ministério da Fazenda

Consignado na liderança

O levantamento ainda demonstra que, ao mesmo tempo em que aumentam os acessos ao crédito, o segmento do consignado reduz o custo e os riscos associados de inadimplência. Em base anual, a taxa de juros cobrada nesta modalidade, de 28,5%, tem sido bastante inferior à taxa praticada no crédito para pessoa física, de 46,8%.

Em abril de 2011, o total de empréstimos alcançou R$ 582,7 bilhões. Desse montante, R$ 144,4 bi se referiam aos consignados, enquanto que R$ 438,3 bi, ao restante.

Para se ter uma ideia, em todo o ano de 2010, o total de empréstimos foi de R$ 560 bi e os consignados de R$ 138,2 bi. Já em 2009, o total ficou em R$ 469,9 bi, e os consignados em R$ 107,9 bilhões.

Empresas

Em abril deste ano, assim como em setembro de 2008 – logo após o início da crise financeira mundial – a carteira de crédito era essencialmente composta de Capital de Giro, Leasing e Aquisição de Bens, Conta Garantida e Adiantamento de Contratos de Câmbio.

Em termos de desembolsos diários, o estudo elaborado pelo Ministério da Fazenda ainda aponta que o Capital de Giro foi de 34% para quase metade do total (47,5%).

Além disso, ao contrário do crédito à pessoa física, as concessões à pessoa jurídica permanecem com tendência crescente neste início de ano, indicando que os projetos de investimento continuam em andamento.

Comparando o primeiro quadrimestre de 2011 com o mesmo período de 2010, essa linha de crédito aumentou 3,2%, contra 2,2% na comparação 2010/2009.