Dilma quer que juros básicos caiam ainda mais

A decisão do Banco Central (BC) de reduzir os juros para 10,5% ao ano, na última quarta-feira, agradou ao Palácio do Planalto, mas a presidente Dilma Rousseff quer mais. Segundo interlocutores, são esperados pelo menos mais dois cortes de 0,50 ponto percentual na taxa, para que a Selic feche 2012 em 9,5%. Para isso, a presidente está disposta a fazer um ajuste fiscal que permita ao BC seguir flexibilizando a política monetária.

A inflação, sobretudo a vinda dos alimentos, preocupa porque tem como causa fatores climáticos (chuva e estiagem). Mas há um entendimento de integrantes da área econômica de que é melhor que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique um ponto percentual acima do centro da meta neste ano — em 5,5% — do que sacrificar a renda das famílias e a geração de empregos, com a interrupção na queda da Selic.

— A palavra é calibrar. Será que vale a pena forçar a mão nos juros, por causa de um ponto percentual a menos na inflação? — indagou uma fonte.

Missão de ministros é enxugar o orçamento

De olho nisso, a missão delegada aos ministérios do Planejamento e da Fazenda é enxugar o orçamento de 2012, para fechar o corte em R$ 60 bilhões. Isso sem comprometer investimentos e programas sociais.

Segundo interlocutores, na avaliação do Planalto, o melhor caminho para assegurar o crescimento da economia é pela via da flexibilização da política monetária e do crédito. É com esse propósito que a presidente estaria disposta a usar outros mecanismos, como maior aperto fiscal, por exemplo.

O corte no orçamento seria uma sinalização importante para o mercado, além de dar margem ao BC para continuar reduzindo os juros. Uma ala mais conservadora defende mais dois cortes na Selic, só que um de 0,5 ponto e outro de 0,25%, justamente por causa da inflação.

Dessa forma, explicou a fonte, o corte de R$ 50 bilhões já seria suficiente pois, além do contingenciamento, o Executivo faz a famosa gestão de caixa. Historicamente, o governo tem dificuldade de executar o orçamento. Ou seja, acaba fazendo também um contingenciamento natural. ?

Investimentos terão que ser mantidos

Para chegar ao corte de R$ 60 bilhões, técnicos do governo estão se esforçando, dado o engessamento do orçamento às despesas fixas obrigatórias, como pagamento da folha do funcionalismo, dos benefícios previdenciários (INSS e regimes próprios), dos programas sociais e juros da dívida sem atingir os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

— Manter os investimentos é uma ordem — contou um técnico envolvido nas discussões.