Efeito carnaval derruba negócios no varejo

O comércio paulistano apresentou recuo na movimentação de fevereiro, tanto na comparação com igual período de 2011, como ante janeiro de 2012. O ano bissexto, com o acréscimo de um dia ao mês, não foi suficiente para compensar o efeito negativo que o êxodo da população provoca sobre as vendas do varejo da capital paulista durante os feriados do carnaval.

Na comparação de fevereiro ante igual mês do ano passado, o Indicador de Movimento do Comércio a Prazo (IMC, antigo SCPC) recuou 1,1%. O Indicador de Movimento de Cheques (ICH/SCPCCheque), parâmetro para as transações à vista, fechou negativo em 2,1%. O balanço foi divulgado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), baseada em amostra de dados de clientes da Boa Vista Serviços (BVS), administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).

Para o presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Rogério Amato, apesar do desempenho fraco, as perspectivas futuras não são ruins. “Independentemente de qualquer prognóstico, a sinalização fornecida pelo Banco Central (BC) de que os juros devem cair para um dígito, além da persistência do otimismo do consumidor, sugerem que a economia deverá retomar seu potencial de crescimento nos próximos meses”, afirma Amato.

Sem surpresa

O economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal, Emílio Alfieri, comenta que esses resultados já eram esperados. “A base de comparação é muito alta, porque a economia ainda estava aquecida no início de 2011 e o carnaval, naquele ano, só aconteceu no início de março.”

Sem o efeito carnaval, o comércio registrou, em fevereiro do ano passado, crescimento de 11,2% nas vendas a prazo e de 18,5% nas transações à vista, compara Alfieri. No mês seguinte, no entanto, também por força do efeito calendário, o desempenho ficou bem aquém, com crescimento de 3,2% e recuo de 3,5%, respectivamente.

Por enquanto, o desempenho médio de vendas dos últimos 12 meses, na casa de 2,5%, ainda está bem abaixo da média histórica dos indicadores da BVS, de aproximados 6%. No acumulado deste ano (ante igual período de 2011), a média dos dois sistemas (IMC e ICH) é de 1,55%.

Alfieri explica que o recuo das vendas na comparação fevereiro ante janeiro de 2012 (veja quadro acima) se deve à sazonalidade normal do período. “Se não fosse um ano bissexto, a queda seria ainda maior. Estatisticamente, os dados de fevereiro interrompem uma sequência de crescimento gradual das compras a prazo, registrada a partir de outubro do ano passado. Alfieri ressalva, a propósito, que os indicadores ainda permitem uma análise clara do cenário. Ao final do primeiro trimestre, o efeito calendário já não prejudicará as comparações.

Inadimplência

Sobre o endividamento do consumidor, Alfieri comenta que a alta de 11% no Indicador de Registro de Inadimplentes (RR), com crescimento um pouco menor (9,6%) dos carnês normalizados, “ainda não preocupa”, por estar, segundo ele, também associada a comportamentos de caráter sazonal, como o ligeiro crescimento do desemprego.