Em cenário mais pessimista, PIB ficará estável, prevê Itaú

A economia brasileira deve crescer 3,6% em 2011, segundo os cálculos do Itaú Unibanco divulgados ontem. Contudo, se houver um agravamento da crise internacional, o economista-chefe do banco, Ilan Goldfajn, e o economista Aurélio Bicalho projetam que a alta do Produto Interno Bruto (PIB) do País pode oscilar entre 3,1% a 0,1%.

Pelo que chamam de cenário “básico”, já era previsto uma desaceleração da economia comparada ao ano passado quando avançou 7,5%, puxada principalmente pelo recuo da produção industrial e com mais clareza em serviços. A previsão do banco é que a indústria tenha uma queda de 0,6% no segundo semestre e crescimento de 1,2% em serviços.

No entanto, com as sinalizações de que é possível um agravamento da crise externa, principalmente na Europa, os economistas do Itaú estimam que em um cenário “pessimista”, o PIB brasileiro terá uma expansão de 3,1%. Agora, caso ocorra algo parecido como em 2008 – quando houve a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers que iniciou a turbulência -, a economia brasileira crescerá apenas 0,1%, cenário a que o Itaú chama de “ultrapessimista”. “Ainda estamos em um cenário básico, mas temos chances de chegar ao megapessimismo”, aponta Goldfajn, ao acrescentar que, mesmo assim, é complicado estabelecer previsões concretas.

Neste contexto, o banco projeta que no cenário “básico”, a inflação no Brasil deve fechar neste ano em 6,5%, portanto no limite da meta estabelecida, e que a taxa básica de juros deve terminar em 12,50% ao ano. Dentro das expectativas “pessimistas”, o IPCA ficará em 6,1% e a Selic em 12%. E no contexto “ultrapessimista”, inflação em 5,4% no final de 2011, e taxa de juros fechada em 11%.

“A conclusão que temos é que o risco na Europa é o mais relevante. A economia norte-americana terá problemas, mas crescerá. E se houver a segunda rodada da crise, teremos desaceleração do PIB e queda de juros”, diz o economista-chefe do Itaú.

Por outro lado, ele prevê que, pelo menos até 2020, o Brasil terá que conviver com uma forte entrada de investimentos estrangeiros diretos, e assim, com um câmbio apreciado. “Haverá ainda maiores déficits em conta corrente e fortalecimento do mercado doméstico. Será ruim para parte da indústria e bom para serviços e commodities, principalmente por causa da demanda da China e da Índia”, diz Goldfajn. Segundo ele, a expectativa é que o PIB brasileiro tenha um crescimento médio de 4% a 5%, a longo prazo.

Para o mundo, o banco estima que em 2011, a economia apresentará alta de 3,9%, e em 2012, crescerá 3,7%, no cenário “básico”. No contexto “pessimista”, expansão de 3,3%, em 2011 e de 2,6%, no ano que vem. E no “ultrapessimista”, avanço de 2,6% neste ano, e retração de 2% em 2012.

Primeiro semestre

Aurélio Bicalho diz que o PIB mensal Itaú Unibanco ficou estável em junho na comparação com maio. Em relação a junho de 2010, o PIB calculado pelo banco avançou 3,2%. “Em julho, a prévia mostra uma alta de 0,6% ante junho, mas a partir de agosto voltará a arrefecer. Dados da indústria – acomodação do estoque – já sinalizam este cenário”, afirma o economista do Itaú. Em julho, o banco calcula que haverá alta de 2,5% comparado ao mesmo mês do ano passado.

O Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal) também divulgado ontem, apontou recuo de 0,1% em junho deste ano na comparação com maio, e ficou bastante próximo do cálculo do Itaú. Em relação a junho de 2010, o crescimento da atividade econômica medido pela Serasa foi de 2,6%.

Da mesma forma, Ilan Goldfajn e Aurélio Bicalho projetam que o segundo trimestre teve um crescimento de 0,8% ante os primeiros seis meses de 2011, e a Serasa espera uma alta de 0,7%, em igual base de comparação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira teve alta de 1,3%.

O Itaú Unibanco calcula que o PIB no terceiro trimestre também deve avançar 0,8%, ante o período anterior e que nos últimos três meses de 2011, o País registrará expansão de 0,5%.

No acumulado do ano, a Serasa calcula elevação de 3,4% no primeiro semestre de 2011. Nos últimos 12 meses encerrados em junho, o PIB avançou 4,6%.

Tanto Itaú Unibanco quanto a Serasa Experian afirmam que a desaceleração econômica calculada e projetada é fruto das medidas de aperto fiscal e monetário (aumento dos juros) introduzidas pelo governo, a partir do final de 2010, como forma de se combater a alta da inflação.