Embaixador britânico diz que relação com Brasil ganha força após o Brexit

Decisão por deixar a União Europeia deve fortalecer os laços entre os países nos próximos anos: autoridade do Reino Unido apontou os setores de saúde e educação como alvos dos investidores

O embaixador britânico no Brasil, Alex Ellis, indicou que a decisão do Reino Unido por deixar o bloco europeu deve fortalecer as relações comerciais e de investimentos com os parceiros brasileiros.

“Nossa saída da União Europeia exige que sejamos ainda mais importantes como parceiros do Brasil”, afirmou a autoridade. Segundo Ellis, ainda que a União Europeia siga como “grande foco” dos britânicos, o Brexit deve fazer o Reino Unido “olhar cada vez mais” para os países que não integram o bloco.

“O Brasil vai ser mais importante em termos comerciais, em investimento, em educação, em termos políticos e de pesquisa”, apontou o embaixador. Hoje, os britânicos aparecem na décima terceira posição entre os países que mais compram produtos brasileiros, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Ellis disse também que a aproximação entre os países não é uma novidade. “Abrimos, no ano passado, um consulado em Belo Horizonte. E estamos fazendo mais investimentos em fundos bilaterais com o Brasil. Temos um forte aumento na presença financeira e física e isso vai continuar”, afirmou.

Sobre a possibilidade de os países costurarem um acordo bilateral nos próximos anos, o embaixador ressaltou uma nota divulgada pelo Itamaraty. O documento, apresentado após o plebiscito britânico, indicou que o ministério de relações exteriores brasileiro vai buscar acordos comerciais e de investimentos com o Reino Unido.

A autoridade também falou sobre os principais setores de interesse do país europeu no Brasil. Entre os ramos que já recebem investimento britânico, Ellis destacou a produção de óleo e gás. “Temos mais de duzentas empresas operando nesta área no Brasil”, disse o entrevistado.

Para o futuro, ele apontou um crescimento dos aportes em saúde, educação e infraestrutura. “O grande desafio do Brasil e de países da América Latina será ampliar e melhorar serviços públicos sem aumentar impostos”, justificou.

Na direção contrária, Ellis afirmou que o Reino Unido é “o país” para empresas brasileiras que buscam se internacionalizar. Ao falar sobre as marcas nacionais que fazem sucesso na Europa, o embaixador mencionou as calçadistas Havaianas e Melissa.

“O mercado britânico tem muita competição. As empresas do Brasil que têm competitividade encontram um mercado bom, com consumidores de todo o mundo”, afirmou.

Já em relação ao agronegócio, a abertura comercial para produtos de outros países não é certa. “Ainda não sabemos muito sobre isso, vai depender de definições sobre a política agrícola britânica [após o Brexit]”, comentou Ellis.

Imigração

O embaixador também falou sobre o aumento do fluxo migratório e sobre o caso dos refugiados, dois dos motivos que levaram os britânicos a votar pelo Brexit.

Após afirmar que 37% da população de Londres nasceu fora do Reino Unido, ele ressaltou que o país europeu “é aberto” às pessoas de outras nacionalidades. Por outro lado, Ellis afirmou que o “desejo de ter um pouco de controle sobre o país” pesou para o resultado do plebiscito.

“Essa situação [aumento da migração] não é vista só na Europa, é vista no mundo todo. É um fenômeno que ainda não toca muito o Brasil, mas vai tocar no futuro”, acrescentou o embaixador. “A questão será muito importante nas próximas décadas: como definir quem é refugiado e quem é imigrante e como gerir isso para o benefício mútuo, já que há benefícios econômicos dessa situação”, completou.

Olimpíada

Últimos anfitriões dos Jogos Olímpicos, os londrinos mantiveram diálogo com os brasileiros para auxiliar na preparação do evento no Rio de Janeiro, disse Ellis. “Houve uma enorme troca de experiências. Muitos brasileiros foram à Londres e muitos britânicos vieram para cá nos últimos quatro anos”.

Ao ser perguntado se a capital carioca está preparada para os jogos, Ellis emendou: “[o evento] vai ser fantástico”. Em relação à segurança do País para os estrangeiros, ele disse que “existe essa preocupação”, mas afirmou que o governo brasileiro “está focado para assegurar a melhor segurança possível para as pessoas”.

Compras e vendas

O Reino Unido não aparece entre as dez nações que mais compram do Brasil e também fica fora das primeiras colocações entre os principais vendedores, figurando na décima segunda colocação.

Ainda assim, as exportações para os britânicos renderam US$ 1,347 bilhão para produtores e empresários brasileiros entre janeiro e junho deste ano. No mesmo período, foi gasto US$ 1,190 bilhão com importações do país europeu.

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