Empresas retardam a entrada na Bolsa

A crise não chegou a fazer estrago neste ano como em 2008, mas praticamente fechou o mercado para projetos ousados de financiamento das empresas brasileiras, informa reportagem de Toni Sciarretta para a Folha.

Mês normalmente fraco por conta das férias no hemisfério norte, agosto termina amanhã como começou: sem dinheiro novo do mercado.

Desde o rebaixamento dos EUA, que perdeu a avaliação AAA da Standard & Poors no último dia 6, não saiu nenhuma captação de recursos de empresas no exterior nem oferta de ações na Bolsa –a última foi a da Abril Educação, que levantou R$ 371 milhões no dia 26 de julho.

Mesmo empresas de primeira linha como Petrobras, que consultam constantemente os investidores para buscar recursos, encontraram preços elevados.

Incertezas em relação à saúde financeira dos bancos franceses, dúvidas quanto às políticas de estímulo nos EUA e a fragilidade fiscal de países europeus agravaram a indefinição do cenário.

Diante do quadro, quatro empresas -a produtora de grãos Camil, a Enesa Engenharia, a Perenco Petróleo e a Coperçúcar- desistiram de entrar na Bolsa. Outras cinco -a agência CVC, o grupo Inbrands de moda, a Petrorecôncavo, a LG Agronegócios e a Isolux, de transmissão de energia- estão com prazo correndo e podem desistir se a situação não melhorar.

Captação para empresa desaba com perspectiva de crise