Empréstimos crescem em julho, diz Febraban

A oferta de crédito continuou mostrando fôlego em julho, tanto para a pessoa física como para a pessoa jurídica, de acordo com sondagem preliminar feita pela Federação Brasileira de Bancos. Embora o saldo possa apresentar ritmo menor de crescimento, as concessões diárias, com ajuste sazonal, teriam mostrado forte expansão. O Banco Central (BC) divulga amanhã a nota de crédito de julho.

No segmento de pessoas físicas, a sondagem da Febraban aponta para um aumento de 4,1% nas concessões diárias em julho contra junho, depois de excluídos fatores sazonais como as férias escolares. Na comparação com julho de 2010, a alta de 16,4% projetada pela entidade pode figurar como a maior desde novembro – antes, portanto, das medidas macroprudenciais do BC. Sem ajuste sazonal, a média diária das concessões recuaria 0,6% ante junho.

Na pessoa jurídica, as concessões diárias em julho, com ajuste sazonal, teriam crescido 7,8% em relação a junho, segundo a Febraban. Na comparação com julho do ano passado, a expansão teria sido de 17,7%, a maior desde maio de 2008. Sem ajuste sazonal, as concessões diárias de empréstimos e financiamentos a empresas recuam 0,9% em julho contra junho.

Os economistas da entidade ressaltam, porém, que o comportamento do crédito em julho pode não se confirmar como tendência, já que o período antecede o agravamento da crise internacional e das avaliações negativas quanto ao avanço da economia mundial.

É curioso notar que a aceleração do crédito verificada em julho na sondagem prévia da Febraban vai de encontro ao resultado da pesquisa de indicadores das condições de crédito divulgada no boletim regional do BC na última sexta-feira. Nela, a percepção de instituições financeiras para a oferta de financiamento ao consumo e para o crédito a micro, pequenas e médias empresas nos próximos três meses é pouco favorável.

Os economistas da Febraban observam que a falta de apetite dos bancos para conceder crédito nesses dois segmentos pode ter relação com o aumento da inadimplência e do comprometimento da renda do consumidor. Esses eram fatores considerados de maior importância pelas instituições na pesquisa anterior do BC, realizada entre março e abril. “Será importante acompanhar os dados de atrasos de 15 a 90 dias”, destacam os economistas em relatório.