Europa afeta ações dos bancos no Brasil

Em mais um dia de nervosismo nas bolsas pela Europa, os bancos brasileiros listados na Bolsa de Valores de São Paulo sofreram com a venda pesada de papéis por parte de investidores estrangeiros. Os papéis do Itaú Unibanco registraram queda de 1,77%, os do Banco Brasil recuo de 1,91% e os do Bradesco baixa de 1,70%.

O analista de investimentos da Planner Corretora, Francisco Kops, diz que a queda é relacionada à postura dos investidores internacionais. “Eles precificam riscos que não são característicos daqui, já que a qualidade dos bancos brasileiros é melhor.”

Na Europa, todos os principais índices de ações mundiais fecharam em forte baixa ontem, com o aumento nos temores de que a Grécia possa passar por um calote. Os bancos da França lideraram as perdas, em meio à especulação de que eles possam ser rebaixados por sua exposição ao país da zona do euro em dificuldades. As ações dos bancos franceses sofreram com a expectativa de que a agência de classificação de risco Moodys possa rebaixar seus papéis nesta semana. O índice Stoxx Europe 600 caiu 2,5%. Ontem, os temores em relação à dívida soberana da Europa continuaram a pesar, pressionando para baixo as bolsas da Ásia e fazendo Wall Street abrir em queda. O banco francês Société Générale recuou 10,8%, o BNP Paribas perdeu 12,4%, e o Crédit Agricole cedeu 10,6%, enquanto a seguradora AXA SA caiu 9,7%.

Nos Estados Unidos, o Bank of América (BofA) anunciou um corte de US$ 5 bilhões até 2013, com a demissão de 30 mil funcionários, como forma de reestruturar as perdas e recuperar-se da crise financeira.

No Brasil, o Santander, que também sofreu queda de 0,33% na Bovespa ontem, aproveitou um evento no Rio de Janeiro para se diferenciar da matriz na Europa. O novo presidente da instituição financeira, Marcial Portela, declarou que a subsidiária brasileira é independente e pretende investir R$ 300 milhões nos próximos dois anos para dobrar seu tamanho no Rio de Janeiro. “Nossa projeção é de crescer, nos próximos anos, em um ritmo parecido com o mercado, que deve ser por volta de 15%”, espera o presidente do Santander Brasil.