Ex-diretor de Normas do Banco Central considera a ANFAC referência em Governança pela credibilidade que agrega aos associados e ao setor de Fomento Mercantil

Programas para assegurar conformidade à regulamentação e disseminar as melhores práticas de gestão mitigam riscos legais, morais e de outros prejuízos econômicos e institucionais a empresas de factoring, diz especialista em auditoria e normatização, Dr. Sérgio Darcy

Mais do que evitar pesadas penalidades impostas pelas novas regulações, as entidades que qualificam e credenciam as empresas com as práticas mais corretas de gestão podem contribuir para gerar ganhos de rentabilidade e até mesmo comerciais, defende Sérgio Darcy da Silva Alves, consultor dos comitês de auditoria do Santander e da BM&F, coordenador do Comitê de Normas da BM&F, e ex-diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, onde trabalhou entre 1967 e 2006. “Uma das principais funções da entidade setorial é agregar qualidade. Para isso, é preciso investir em cursos; não em eventos comerciais, mas programas com os melhores especialistas em governança e controles, até para evitar que alguém seja passado para trás e envolvido em lavagem de dinheiro”, menciona Darcy.

Durante seus 39 anos no Bacen, o economista trabalhou em vários projetos de microcrédito e nos processos de regulamentação do arrendamento mercantil (leasing) e consórcios. Darcy tem os diretores da ANFAC como seus interlocutores desde a década de 80, quando começou a se definir a caracterização e o papel do fomento mercantil, e um projeto de lei para regulamentar o setor. “Assim como ocorreu com os consórcios, uma legislação que defina claramente as responsabilidades e critérios firmes de registro no órgão regulador daria ao setor de fomento um melhor reconhecimento junto à sociedade e ao próprio sistema financeiro”, avalia.

Além do diálogo com reguladores e legisladores, para contribuir com que as iniciativas institucionais enderecem as necessidades legítimas do setor de factoring e da sociedade, Darcy considera fundamental a credibilidade que a ANFAC agrega aos associados. O esforço para padronizar os melhores processos e preparar as pessoas maximizam os benefícios aos empreendedores atendidos pelo factoring, ao mesmo tempo em que os controles e práticas de governança deixam a empresa de fomento menos atraente a maus empresários e fraudadores. “Se um ladrão vê um prédio com câmeras, sensores e pessoas atentas, é mais provável que desista do delito”, compara.

Darcy observa que a ANFAC funciona, na prática, como a referência de governança para o setor. “Gosto muito das melhorias de controles e de transparência promovidas por iniciativa da própria empresa ou por autorregulação da entidade setorial, mesmo antes da exigência do regulador”, diz. Ele acrescenta que, assim como ocorreu com consórcios e leasing, a confiança gerada pela regulação e fiscalização aumenta a predisposição da sociedade em relação à modalidade do negócio. Em contrapartida, a balança das oportunidades pende para o lado das empresas que anteciparam o “dever de casa” da qualidade de gestão. “Em algum momento vem a Lei e todos vão ter que demonstrar conformidade para ter autorização para operar”, lembra.

O especialista pondera que a definição regulatória, e consequentemente do órgão fiscalizador, reforça o papel da ANFAC como fomentador dos níveis de governança que caracterizam as boas empresas do setor. Ele compara esse tipo de atuação com o trabalho desenvolvido pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e pela própria BM&F. “A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) fiscaliza o mercado de capitais, mas essas entidades são fundamentais para o investidor ter uma referência de qualidade em relação a empresas abertas e corretoras”, ilustra.

Apesar dos custos envolvidos no desenvolvimento de processos e qualificação das pessoas, Darcy enfatiza que gerir bem é um bom negócio. “Conformidade e governança não trazem recursos, mas evita gastos com demandas judiciais e outros desgastes”, resume. Contudo, o economista reconhece que o refinamento da gestão pode vir a ter efeitos comerciais. “Quanto mais bem administrada a empresa de fomento, maior a possibilidade de chegar a um fator de compra mais interessante. E o cliente tem a tranquilidade de trabalhar com uma instituição idônea”, acrescenta.