Factoring ganha espaço no mercado

Se o ano de 2013 apresentou uma queda na oferta de crédito para as pequenas empresas por parte do sistema bancário, ao menos uma parte dessa necessidade foi suprida pelas empresas de fomento comercial, conhecidas como factorings. Segundo número da Associação Nacional de Fomento Comercial (Anfac), o ano vai fechar com R$ 120 bilhões em recebíveis comprados pelos associados da entidade, um crescimento de 30% na comparação com o volume de 2012.

“Nós conseguimos aproveitar bem a brecha deixada pelos bancos no segmento de pequenas empresas, que são nossos principais clientes”, afirma Luiz Lemos Leite, presidente da Anfac. Atualmente, o chamado fator de compra, que na prática é um parâmetro medido pela associação para a operação, está em cerca de 3,80% ao mês. “A alta da taxa básica de juros afetou diretamente o custo da operação. E é claro que esse custo varia também de acordo com o prazo da operação, que pode variar de 30 a 90 dias, na maioria dos casos”, afirma Dorival Maso, assessor da presidência.

Em relação aos setores da economia que mais procuram as factorings, Lemos Leite explica que a indústria automobilística é a que mais demanda os serviços das factorings. “Eles representam algo em torno de um quarto do volume total de operações”, afirma o executivo.

No entanto, apesar do bom desempenho registrado em 2013, os representantes das factorings não estão tão otimistas com o ano de 2014. “O ano que vem está com um cenário bastante nebuloso. Temos aí alguns fatores, como eleições, crescimento econômico em ritmo lento, que nos fazem ter uma postura mais cautelosa também na atividade de fomento comercial”, explica Maso.

Em relação ao desempenho do próprio setor, Lemos Leite afirma que espera ao menos repetir o desempenho deste ano. “Sempre preferimos manter projeções mais conservadoras, para não criar muitas expectativas”.

Recentemente, o presidente da associação, que reúne cerca de 600 empresas de fomento comercial, foi reeleito para o cargo. E após o pleito, a Anfac alterou seus estatutos para ampliar o escopo de atuação da própria entidade. “Nós vamos passar a ter como associados securitizadoras, gestores de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), enfim, todos os segmentos que de alguma maneira trabalham com compra de recebíveis”, afirma Lemos Leite.

Com essa mudança, a entidade pretende ganhar mais alcance e força, o que pode contribuir para resolver um problema que envolve o setor há muitos anos: a regulamentação da atividade de fomento comercial no Brasil. Segundo o presidente da Anfac, a falta de entendimento entre governo e Congresso atrapalha bastante. “Estávamos esperando uma medida provisória para o final de 2012. E estamos esperando essa MP até agora”, afirma Lemos Leite.

Segundo os representantes das factorings, o ponto mais controverso que envolve o projeto, que tramitou durante 12 anos no Congresso, e já está aprovado. O grande problema agora está no Poder Executivo. “Na verdade, há uma divergência sobre quem será o órgão regulador que fiscalizará a atividade. O Banco Central, nos anos 80, chegou a proibir que houvesse fomento comercial no Brasil, decisão que foi revertida na Justiça depois. Então hoje, o BC afirma que não está dentro do seu escopo fiscalizar as factorings, já que é uma atividade comercial”, explica o presidente da Anfac.

Lemos Leite afirma que, na sua opinião pessoal, o melhor caminho seria a criação de uma agência específica para a atividade de factoring no Brasil. “Mas essa é uma visão minha, não é o posicionamento da Anfac”.

E não há muito otimismo por parte da entidade de que essa questão será resolvida no curto prazo. “Há uma ideia dentro do governo de que não pode haver uma medida provisória voltada só para o setor. As alterações teriam que vir dentro de uma MP mais abrangente. E é assim que se encontra a questão neste momento, em um impasse”.