Factoring Internacional é negócio rentável para o setor

No Brasil, mercado ainda é embrionário e depende da aprovação da Lei do Factoring

O factoring internacional é um mecanismo vantajoso para as empresas que pretendem entrar no mercado internacional, pois garante desde a pesquisa de potenciais compradores até a liquidação do pagamento. Amplamente operado na Europa e na Ásia, o factoring internacional no Brasil ainda dá os seus primeiros passos. Segundo Luiz Lemos Leite, presidente da ANFAC – Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil – Factoring, o país depende da aprovação da Lei do Factoring para que as empresas tenham normas específicas de câmbio e possam operar com maior segurança no mercado internacional. “No Brasil ainda não é possível fazer a operação em sua plenitude, mas quando tivermos a Lei do Factoring essa situação vai mudar. O Banco Central tem que estabelecer normas e, no caso do factoring, a empresa cessionária dos direitos será a responsável pela cobertura cambial”, informa Lemos Leite, acrescentando que o factoring de exportação será um grande negócio para a economia brasileira. “As pequenas e médias empresas que não têm acesso ao mercado externo terão esta opção concreta de atender às suas necessidades e aspirações de expandir seus negócios internacionalmente. Essa iniciativa será propícia ao mercado, pois se trata de uma operação de grande alcance econômico”, avalia.

Atualmente, poucas empresas brasileiras são associadas à maior instituição de Factoring Internacional do mundo, o Factors Chain International, com sede em Amsterdã, na Holanda. Dentre elas, duas empresas associadas à ANFAC, a Brasilfactors e o Grupo Exicon. De acordo com João Costa Pereira, presidente da Brasilfactors, globalmente o factoring tem apresentado um crescimento mundial impressionante, crescendo em média anual mais de 12% nos últimos oito anos. Em 2011 o crescimento mundial foi de 22%, atingindo o volume recorde de US$ 2,6 trilhões, assumindo-se como um produto de primeira linha para o financiamento e serviços de gestão do capital de giro. A parte Internacional (exportação e importação), normalmente menor, cresceu 37% em 2011, para um volume de US$ 355 bilhões.

Segundo Costa Pereira, o factoring normalmente inclui um conjunto de serviços, tanto no doméstico como no internacional, nomeadamente a antecipação dos recebíveis, a análise e cobertura dos riscos de crédito, administração dos recebíveis e cobrança. Tudo indica que vai continuar a ganhar importância, como instrumento de administração de capital de giro, nos próximos anos.

Se no factoring doméstico o cliente está mais preocupado com a antecipação como forma de financiar o seu capital de giro, já no internacional os outros serviços têm enorme importância. “Realizar uma venda a grande distância e para outro enquadramento legal necessita uma boa assessoria, cobertura de riscos, e sistemas de cobrança internacionais. O sistema de Factoring Internacional vai, de forma eficiente, dar essa tranquilidade ao exportador”, explica Pereira, que acredita que o factoring internacional já é um elemento fundamental para o desenvolvimento do comércio internacional e, consequentemente, para o desenvolvimento econômico mundial.

“Tradicionalmente o comércio internacional era dominado pela cobrança bancária, com cartas de crédito e outros instrumentos financeiros. A globalização e a velocidade das comunicações exigem maior agilidade e custos de transação mais baixos e estão, progressivamente, abolindo os instrumentos tradicionais e transferindo negócio da carta de crédito para o factoring.

O factoring é um produto de enorme sucesso na Europa onde figura entre os produtos financeiros mais comuns para financiamento de capital de giro, mas assistimos também à sua crescente utilização no mercado global. No entanto, ainda há muito a fazer no sentido de uniformizar conceitos em nível internacional, tratamentos legais diferenciados, ou mesmo países onde inexplicavelmente continua a não haver legislação dedicada ao factoring”, complementa.

A relação entre as factorings brasileiras e as internacionais

João Costa Pereira destaca que, atualmente, existe muito pouca relação entre empresas de factoring brasileiras e as internacionais. “A atividade de Factoring internacional é muito reduzida para a dimensão da economia brasileira. Para esta situação contribui a difícil regulamentação cambial brasileira e a dimensão das empresas de factoring brasileiras que não permite acessar os mercados internacionais. Fora do Brasil as empresas de factoring tendem a ter grande dimensão, normalmente controladas por bancos, enquanto que no Brasil há uma maior pulverização do mercado com um grande número de pequenas empresas”.

Pereira explica ainda que hoje, na maioria dos países, as trocas mercantis são feitas por pagamentos em conta e não suportadas por títulos. Assim a forma habitual de factoring é a da cessão dos créditos (presentes e futuros – globalidade), com notificação do devedor. Este formato já se utiliza também no Brasil (pagamento em conta com trava perfeita), mas ainda é pouco divulgado. “Por outro lado vemos que em outros países o factoring obteve sucesso pela prestação de serviços complementares como análise e cobertura de risco e administração das cobranças. Se o factoring focar apenas na compra do título, como acontece no Brasil, agrega pouco ou nenhum valor quando comparado com o desconto bancário”.

Para Alexandre Bucker de Souza, Sócio e Diretor Geral do Grupo Exicon, o mercado de Factoring Internacional no Brasil ainda é embrionário. Porém, ele considera as perspectivas boas. “O Governo brasileiro tem falado na criação de um mecanismo de apoio e financiamento às pequenas e médias empresas exportadoras e importadoras, e esta estrutura no exterior se chama Factoring Internacional. O BNDES deveria incentivar este setor que, infelizmente, no Brasil não foi compreendido. É preciso incentivar e apoiar as iniciativas existentes, como a do Banco Santander, que está iniciando uma operação deste tipo no Brasil. A medida que os bancos passem a se interessar, o produto vai crescer”.

Alexandre Bucker de Souza aponta também que a associação ao Factors Chain International é sinônimo de credibilidade, pois as empresas têm que se recredenciar anualmente e realizar um volume de mais de 5 milhões de euros por ano. “Em junho teremos o congresso anual de Factoring internacional em Atenas, na Grécia, um evento com mais de 200 empresas participantes. Quando o assunto é Factoring internacional, cada país tem suas peculiaridades, mas o Brasil continua sendo muito burocrático, tem um custo bem mais alto que em alguns países desenvolvidos como, por exemplo, os Estados Unidos”, conclui.