Factorings mostram otimismo com demanda de empresas

Com os recentes aumentos das taxas de juros e o endurecimento da concessão de crédito para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs) via bancos tradicionais, as empresas de factoring observam uma oportunidade neste nicho de mercado.

De acordo com a Associação Nacional de Fomento Comercial (Anfac), a atividade deve crescer em torno de 10% neste ano. Em 2013, o giro de carteira de cerca de 150 mil empresas clientes das factorings somou R$ 100 bilhões em ativos movimentados, segundo um levantamento feito pela própria instituição. A operação, também nomeada de fomento mercantil, consiste na compra de ativos financeiros de terceiros, gerados a compra à prazo, em troca de recebimento de crédito imediato.

O presidente da Brasilfactors, João Costa Pereira, explica que o cenário dos sucessivos aumentos da Selic impacta de forma positiva na atividade, à medida que os bancos se tornam mais conservadores na concessão de crédito, receosos quanto à inadimplência.

As taxas das factoring podem ser convidativas frente a um aumento generalizado das taxas a pessoas jurídicas dos grandes bancos, que passaram de 2,38% ao mês em janeiro, para 2,41% em fevereiro, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Como explica o presidente da Anfac, Luiz Lemos Leite, o fato da se caracterizar como prestação de serviço e não seguir imposições financeiras e outros parâmetros do Banco Central permite maior flexibilização das taxas. “Os índices são calculados através daquilo que chamamos de custo de oportunidade”, explica Lemos, que seria o que o montante perde estando emprestado, quando poderia estar influenciado se estivesse aplicado.

Atualmente, as operações de funding são destinadas em grande maioria ao setor metalúrgico e setor mecânico. “Nossa carteira é composta prioritariamente pela indústria, que soma 80%. O comércio e outros tipos de serviços preenchem os outros 20%”, disse o presidente da Anfac.

Contudo, segundo João Costa Pereira, é preciso desmistificar a operação no País, segundo ele já consolidada no exterior. “Muitos ainda acham que o factoring é apenas um recurso de último caso, apenas para empresas quebradas, o que não é verdade. Para que a gente cresça, é necessário que nos mostremos competitivos”, afirmou ele.

Para o professor do Ibmec, Gilberto Braga, “o ramo ainda tem problemas de inserção no País, porque aqui eles são considerados uma atividade de alto risco, uma espécie de agiotagem”. Mas ele explica que estas empresas “apenas cumprem sua função de prestação de serviço”.

O professor alerta para o risco do setor frente a outras linhas de créditos dos bancos mais tradicionais. “Essas empresas são intermediárias, então há também um risco de quebra de carteira na compra destes créditos”, disse.

Além disso, Braga atenta para o fato de não haver nenhuma lei que regulamente a atividade no País pelo Estado. “O fato de elas serem autorreguladas, à revelia do Banco Central, também é um fator de risco”.

Atualmente, um projeto de lei que visa regulamentar a atividade está parado há mais de uma década. Como observa Braga, a regulamentação pode encontrar interesses corporativos como empecilho. “Na prática, a atividade é vista, em determinados contextos, como um concorrente para os bancões”, afirmou Braga.