Febraban defende aumento do crédito no Brasil e prevê pouco crescimento nos próximos anos

“O ideal seria que o crédito atingisse entre 70% e 80% do PIB nos próximos 10 anos”. A opinião é do economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, que fez uma análise do quadro atual e as perspectivas para a economia brasileira para os próximos anos, durante aula inaugural da segunda turma do MBA executivo em Crédito e Cobrança IGEOC-IBMEC, na sede do Instituto, em São Paulo.

Sardenberg, que também é professor do MBA, idealiza um crédito na casa dos R$ 5,8 trilhões, em 2021, e descarta a possibilidade de bolha no Brasil, nos próximos meses. Para ele, o país vai crescer pouco daqui para frente se não atacar a carga tributária, aumentar os investimentos e reduzir a inflação. “O maior desafio do governo é aumentar os investimentos.

Atualmente, investimos apenas 18% do PIB. A China investe 40%”, comparou o economista. E acrescentou: “precisamos ampliar nossa capacidade produtiva para pelo menos 23% do PIB até 2016, estamos falando em algo em torno de R$ 1,1 trilhão em cinco anos”.

Outra ameaça para a economia brasileira, segundo o economista-chefe da Febraban, é a carga tributária brasileira, que nos últimos 16 anos saltou de 26% para 33,6%. “Países emergentes como Coréia, México, Chile e China têm impostos na casa dos 26%, precisamos diminuir esse ônus sobre a indústria e o contribuinte”, avaliou.

Rubens Sardenberg também defende a ampliação dos investimentos em educação. Para ele, se o Brasil quer brigar de igual pra igual com os concorrentes, países emergentes como o nosso, o governo precisa dar atenção especial para a qualificação profissional, que começa no ensino fundamental. “A produção depende da qualidade da mão de obra, em qualquer área”, analisou. Sobre a atual crise econômica externa, o economista foi prático: “O mundo vai crescer pouco daqui para frente e para nossa sorte, dependemos cada vez menos de Estados Unidos e Europa. Nossos principais desafios são internos”, concluiu.