Fevereiro tem menos endividados

As famílias estão com menos dívidas. Há 20 meses que o percentual de consumidores endividados não atinge patamar tão baixo. Segundo a Peic (Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), 57,4% da população tinham contas a pagar no mês passado. O menor resultado antes deste ocorreu em junho de 2010, quando o registro era de 54%. Em relação a fevereiro de 2011, a queda foi expressiva, de 7,9 pontos percentuais.

Este recuo foi impulsionado, principalmente, pelo aumento do número de consumidores que não mantêm dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestações de carros e de seguros. No segundo mês de 2011, 33,9% dos entrevistados afirmaram para a CNC que não tinham esses tipos de contas. Em fevereiro, saltou para 41,1%.

A economista da entidade Marianne Hanson acredita que o resultado reflete maior conscientização dos consumidores e preocupação quanto aos próximos passos da economia. “As famílias já usaram o 13º salário para pagar algumas dívidas e não estão pegando mais crédito.” Para ela, o total de endividados seguirá em variação próxima da estabilidade nos meses seguintes.

A inadimplência, que considera dívidas vencidas acima de 90 dias, ainda é motivo de preocupação. Nesta semana, dados do Banco Central mostraram que em janeiro a inadimplência atingiu o maior resultado desde dezembro de 2009. Os números de fevereiro não foram divulgados.

O percentual de consumidores que afirmam estar muito endividados também caiu entre fevereiro de 2011 e o mês passado, de 13,7% para 13%. Marianne destacou que o resultado é positivo. “Ainda mais se comparar com o pico histórico. Em julho de 2011 atingiu 17,8%. Agora está bem abaixo.”

Capacidade

No sentido contrário está o grupo de famílias que declarou não ter condições de pagar as suas contas atrasadas. O percentual saltou de 6,9% em janeiro para 7,3% no mês passado. Porém caiu em relação a 2011, quando a CNC apurou que 7,7% mantinham dívidas. “Esse resultado era esperado. É um registro sazonal, por causa das despesas de começo de ano”, afirmou a economista se referindo aos tributos dos carros e imóveis e gastos com Educação.

O cartão de crédito (71,9%) e o carnê de loja (21,9%) são as modalidades de empréstimos mais citadas pelos entrevistados como dívida atual. Em seguida aparecem o financiamento de carro (11,2%) e o crédito pessoal (10,7%).