FMI pode precisar de mais recursos para atender crises

O Fundo Monetário Internacional (FMI) pode precisar de mais recursos financeiros para lidar com as crises econômicas atuais, e provavelmente terá de discutir a questão em breve, afirmou ontem a diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde. Durante a crise global, o FMI dobrou seus recursos para ajudar a fornecer suporte financeiro suficiente para uma série de países com problemas econômicos.

“A questão é: nós ainda temos o nível de recursos que agora é necessário e apropriado para solucionar as crises?”, questionou Lagarde durante um evento no Conselho de Relações Exteriores, em Nova York. “No futuro não muito distante nós provavelmente teremos de revisitar esse assunto”, acrescentou.

Dado o nível recorde de empréstimos do fundo, economistas têm duvidado que o FMI tem capital suficiente para lidar com países maiores da zona do euro que possam precisar de ajuda externa – como Espanha e Itália.

Ação

Os líderes dos EUA e da Europa precisam urgentemente agir para solucionar seus problemas de dívida soberana e evitar colocar a frágil recuperação global em colapso, afirmou Lagarde.

A autoridade reiterou seu alerta para o governo dos EUA, dizendo que um acordo sobre a elevação do teto da dívida precisa ser alcançado imediatamente para evitar prejuízos e uma séria disseminação da crise para o mundo.

Em discurso preparado para ser feito no Conselho sobre Relações Exteriores, Lagarde disse que, embora os EUA precisem elaborar um plano para apertar seu orçamento e aumentar a receita com o objetivo de controlar as finanças, os legisladores devem tomar cuidado para não serem precipitados nos cortes futuros.

Segundo Lagarde, isso é especialmente verdade dada a probabilidade de os EUA estarem enfrentando problemas no mercado de trabalho. Elaborar um plano confiável pode ter poucos efeitos adversos sobre a demanda e possivelmente até impactos positivos, disse a autoridade.

A Europa, por sua vez, precisa implementar rapidamente medidas prometidas pelos líderes na semana passada para fortalecer a governança econômica na zona do euro. O acordo para a Grécia mostrou que os líderes estão comprometidos com a zona do euro, “mas a turbulência pode ressurgir”, afirmou Lagarde.

A diretora do FMI declarou que a crise de dívida soberana da Europa “revelou os riscos impostos por uma união econômica e monetária incompleta”.

A equipe do FMI tem afirmado que a Europa precisa se mover na direção do federalismo fiscal, mesmo se isso significar a perda de parte da soberania por alguns membros.

Portugual

O ministro português das Finanças, Vítor Gaspar, disse ontem que as previsões “apontam para nove trimestres consecutivos de recessão e uma contração acumulada de 4% na economia portuguesa”. Segundo o ministro, a economia nacional só vai regressar ao crescimento “no início de 2013”. Vítor Gaspar falou no IX Fórum da Banca e Mercado de Capitais, organizado pelo Diário Económico.

Enquanto a economia estiver em contração, o desemprego ficará acima dos dois dígitos, e só a partir de 2013 “começará a decrescer e lentamente”, disse.

O ministro reafirmou que os resultados da reunião do Eurogrupo na semana passada foram vantajosos não apenas para a Grécia. “Também para Portugal foram muito favoráveis”, disse.

A garantia de financiamento à economia grega “reduz a probabilidade de contágio à economia portuguesa e teve impacto positivo na melhoria das condições de financiamento” iniciais previstas para Portugal, e na perspectiva de “condições mais favoráveis de acesso aos mercados financeiros, caso o atual impacto se confirme e perdure”, afirmou o ministro das Finanças português.

Vítor Gaspar disse ainda que os parceiros europeus “estão determinados a continuar a apoiar” os estados em necessidade, mas, enfatizou, esse auxílio “é condicionado ao cumprimento das condições do programa de ajuste econômico e financeiro”. “Seria irresponsável pensar que se pode abrandar o ritmo de progressão. O fracasso não é opção”, afirmou.

França

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu ontem unidade entre os partidos sobre as finanças públicas, mas não estabeleceu data para o Congresso votar mudança na Constituição, que forçaria novos governos a elaborarem cronograma para equilibrar seus déficits, de acordo com carta dirigida aos parlamentares.

Segundo o Wall Street Journal, essa é a primeira vez que um presidente francês escreve carta dirigida a todos os parlamentares e ocorre num momento em que o Partido Republicano ameaça bloquear a mudança constitucional, que impediria os governos de estabelecer planos de três anos para equilíbrios orçamentários.