Gigantes do varejo perdem participação

As cinco maiores varejistas do país perderam participação no ranking das maiores empresas do setor. O movimento aponta para uma menor concentração das gigantes, enquanto as menores ganharam espaço.

O faturamento dos cinco grupos líderes representou 47% do faturamento das 80 maiores em 2010, ante os 56% que tinham sido registrados no ano anterior – queda de nove pontos percentuais.

Os dados foram divulgados pelo Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo).

“As médias empresas têm feito movimentos de consolidação. Sem considerar as 10 maiores, ao menos 15 empresas entre as 70 principais passaram por algum processo de compra ou venda recentemente”, afirma Eduardo Terra, vice-presidente do Ibevar.

É o caso da Drogasil e da Droga Raia, que anunciaram a união de suas operações em agosto deste ano e saltaram da 19ª e 24ª posições, respectivamente, para a 10ª.

Os dados do ranking levam em consideração informações de fusões e aquisições até novembro deste ano.

“As empresas que estavam mais abaixo se juntaram com outras e conseguiram aumento mais significativo de faturamento. Ao mesmo tempo, as líderes não fizeram fusões ou aquisições importantes”, diz o presidente do Ibevar, Claudio Felisoni.

O faturamento das 80 maiores empresas do varejo cresceu 25% entre 2009 e o ano passado. Já o aumento do setor como um todo foi de 10% no período. As cinco maiores tiveram elevação abaixo da média, com 7%.

Terra ressalta que a não concretização da fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour, discutida neste ano, também explica a perda de participação das grandes. “A fotografia teria sido outra se o negócio tivesse saído. É uma das explicações para esse grupo [das maiores] ter encolhido.”

Já o coordenador do núcleo de varejo da ESPM, Ricardo Pastore, acredita que as empresas médias estão mais agressivas. “As maiores, que em muitos casos respondem a investidores, estão focadas em margens e acabam perdendo em vendas.”

As quatro primeiras colocadas em 2010 foram as mesmas do ano anterior: Pão de Açúcar, Carrefour, Walmart e Americanas. Já a quinta posição ficou com o Makro.

A Máquina de Vendas, que tinha o quinto lugar em 2009, foi para o sétimo, com faturamento de R$ 5 bilhões – o Magazine Luiza ficou em sexto, com R$ 5,1 bilhões.

A Máquina de Vendas contesta o faturamento divulgado. Segundo ela, foram R$ 5,7 bilhões em 2010, o que lhe daria a sexta colocação.

Já o Magazine Luiza atribui a mudança da sétima para a sexta posição ao desempenho no Nordeste, ao crescimento do e-commerce e à compra das Lojas do Baú.