Governo prioriza alta dos investimentos

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou ontem (26/10) que a presidente Dilma Rousseff quer que vários organismos de fomento de investimentos, entre os quais o próprio BNDES, ajudem a alavancar a expansão da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), a principal estratégia de enfrentamento da crise global.

“Esperamos não precisar atuar da mesma forma que foi necessário em 2008”, afirmou Coutinho, em evento realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo ontem. “Dilma quer como resposta a esta crise a aceleração dos investimentos. A presidente quer expandir investimentos sobretudo em infraestrutura. Vamos manter ou aumentar investimentos em petróleo e gás”, acrescentou.

Esta manifestação já mostra uma preocupação do governo com o esgotamento do consumo como motor do crescimento no Brasil, como ocorreu durante a crise de 2008-2009. O nível de desemprego no País é um dos mais baixos da história, segundo o Dieese.

No entanto, os rendimentos do trabalhador começam a preocupar economistas. Patrícia Lino Costa, economista do Dieese, indica que a inflação é a maior responsável pela queda dos rendimentos reais. “Neste ano, as negociações ficaram próximas à inflação. As contratações vêm sendo realizadas com menores salários. A queda está acontecendo há algum tempo”, diz.

Segundo o estudo, na comparação em 12 meses, agosto de 2011 registrou queda de 3% nos rendimentos de ocupados e 3,7% nos de trabalhadores assalariados. A massa de rendimentos reais dos ocupados caiu 1,1%, enquanto que a dos assalariados aumentou em 0,5%.

A visão internacional sobre o futuro da economia brasileira também demonstra cautela. O Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer abaixo do seu potencial de 4,5% nos próximo dois anos, prevê a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em relatório divulgado na quarta (26/10).