Grandes empresas aumentam demanda por crédito interno

De acordo com dados do Banco Central, o volume de operações de crédito acima de R$ 10 milhões tomados pelas empresas ao final do último ano somou R$ 523,553 bilhões, valor 4,6% superior ao mês anterior e 21,6% na comparação com dezembro de 2010, quando estava em R$ 430,511 bilhões. O saldo se refere aos financiamentos das médias e grandes companhias, que diante da crise europeia deparam com falta de liquidez internacional e um mercado de capitais fechado. No entanto, especialistas acham que o cenário de 2012 tende a melhorar.

Em seguida, aparecem os financiamentos na faixa entre R$ 100 mil e R$ 10 milhões, que segundo dados do BC totalizam R$ 439,097 bilhões, o que corresponde a um crescimento de 2,7% na comparação com novembro e de 19,9% anual. Já os valores inferiores, até R$ 100 mil, expandiram apenas 0,8% no mês, para R$ 162,179 bilhões, enquanto no ano o acréscimo chegou a 15,1%.

Segundo o economista da Serasa Experian, empresa de análise e informações de crédito, Luiz Rabi, os números do Banco Central mostram que as médias e grandes companhias permanecem no mercado interno. “Depende muito da conjuntura externa, porque estas empresas preferem o mercado internacional ou de capitais, que é mais barato. Mas em 2011 houve o fechamento do mercado externo e voltaram para o interno, assim como o de capitais, que vai na mesma entoada.”

O especialista detalha que a indefinição sobre o pacote de auxílio ao pagamento da dívida grega gera um cenário de incertezas, no qual as instituições financeiras e investidores estrangeiros estão avessos ao risco, fechando as linhas de liquidez. “O processo deve ser definido na quinta-feira, quando deve sair o pacote de auxílio da dívida da Grécia. Trabalhamos com o cenário de que virá algo positivo.”

Rabi relembra que em 2008 e 2009 a crise econômica atingiu de forma rápida o Brasil, mas foi severa. “Secaram os IPOs [Oferta pública inicial de ações] e captações externas. Há um risco de que isso aconteça novamente, mas a gente trabalha com um cenário melhor para 2012.”

Nos dados do Indicador Serasa Experian da Demanda das Empresas por Crédito, as grandes empresas lideram a busca no acumulado do ano até janeiro de 2012, com alta de 14,7%, seguidas pelas médias, com crescimento de 6,9% e micro e pequenas companhias, de 3,3%.

Ao ser questionado sobre o impacto da demanda cada vez maior de recursos no mercado financeiro nacional, o economista explica que as micro e pequenas empresas são diretamente afetadas, pois os bancos direcionam os recursos aos clientes de menor risco, deixando as MPEs sem crédito. “As fontes são escassas, sendo que o Governo é o primeiro tomador, sobrando metade para o setor privado, que abrange tanto pessoa física como jurídica. A corda arrebenta para o lado mais fraco, o que já aconteceu em 2009.”

O risco do tomador de financiamentos está nos índices de inadimplência, o que, segundo Luiz Rabi, caracteriza uma melhora do cenário, já que a tendência é de estabilidade e queda. “A inadimplência caindo ajuda porque facilita o acesso e a queda das taxas de juros. A queda gradual em pessoa jurídica, que já vemos, alivia o custo.”

De acordo com o Banco Central, a inadimplência em janeiro deste ano é de 3,7% em pessoa jurídica, enquanto em dezembro estava em 3,9% e em novembro em 4%. Já a taxa de juros anual aplicada estava em 28,7%, enquanto o spread bancário ficou em 18,5%.

Apesar da redução na falta de pagamento das dívidas entre as empresas, o consumidor permaneceu com altos níveis de calote, o que também é prejudicial. “A inadimplência do consumidor esteve muito presente em 2011 e afetou a capacidade financeira das empresas, mas começa a melhorar com o décimo terceiro salário, aumento do salário mínimo, baixas taxas de desemprego, etc. A tendência está clara de queda, o que ajuda a tomada de crédito por parte das empresas. Mas isto se não houver uma piora do problema da Grécia.”

O índice em pessoa física ficou em 7,6% em janeiro deste ano. Em dezembro de 2011 estava em 7,4% e em novembro em 7,3%.