Indústria forte, economia forte

A economia brasileira deverá crescer mais neste ano do que em 2011, embora a indústria de transformação precise,

corajosamente, seguir lutando contra a crescente ocupação dos importados do mercado nacional.

Não se pode atribuir o problema apenas à crise internacional, que reduziu nossas exportações e aguçou a cobiça externa sobre o nosso mercado interno. A rigor, essa questão conjuntural, soma-se à progressiva perda de nossa competitividade por razões sistêmicas, levando a resultado quase irônico, pois ocorre no exato momento em que a economia brasileira cresce.

Mas, cabe ressaltar, a indústria brasileira não ficou inerte perante as dificuldades. Além de investir no desenvolvimento de novos produtos, na melhoria de seus processos e no treinamento de seus colaboradores, as entidades de classe e os organismos de pensamento estratégico, entre os quais o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), têm feito sucessivos alertas e proposto concretas soluções.

A tônica sempre foi a busca da competitividade, e o protecionismo jamais entendido como instrumento do desenvolvimento industrial.

As propostas sugeridas pela indústria brasileira, baseadas em responsáveis e aprofundados estudos, contemplam: importância da educação, reforma tributária, financiamento de longo prazo,

investimento em infraestrutura, como o Brasil deveria se inserir na economia mundial, políticas de apoio à exportação, taxa de juros e o câmbio fora de lugar, inovação e sustentabilidade, excessiva indexação e crescimento dos gastos correntes.

A indústria soube, além das críticas, apontar adequadas soluções de interesse do

país, formular uma política industrial e de inovação, trabalhar pelo aumento da produtividade da economia para

restaurar a competitividade do setor produtivo e abrir caminho para uma reindustrialização no país.

Talvez, a principal falha do setor encontre-se na incapacidade de fazer as suas teses serem adotadas tempestivamente no contexto das políticas públicas. Pode ser que isso decorra do pouco eco que os meios de comunicação lhe dedicaram no passado.

Felizmente, entretanto, a indústria vem sendo, no mundo e aqui no Brasil, alvo de preocupação e encontrando novas vozes que a valorizam. Nem poderia ser diferente, pois, além de sua conhecida importância econômica e capacidade de gerar empregos de qualidade, é responsável por inovação, tecnologia de ponta e sustentabilidade.

Sem indústria forte e pujante, é difícil construir e manter uma economia sólida, capaz de distribuir melhor a renda e promover o desenvolvimento.

Josué Gomes da Silva