Instituições financeiras projetam taxa básica ainda menor este ano

Após o corte inesperado dos juros na última quarta-feira, o mercado financeiro refaz as previsões para a taxa Selic. O Bradesco e o Itaú, por exemplo, projetam mais dois cortes de meio ponto, com a Selic encerrando o ano a 11%. Já o Credit Suisse Brasil tem a estimativa mais “ousada” até o momento.

A equipe econômica da instituição, chefiada por Nilson Teixeira, prevê mais dois cortes de 1,5 ponto percentual em outubro e novembro, e um de meio ponto em janeiro. Com isso, a Selic chegaria a 8,5%, o menor patamar desde a criação do sistema de metas de inflação. Entre julho de 2009 e abril de 2010, os juros básicos ficaram em 8,75% ao ano, o nível mais baixo .

“No nosso entender, o corte de juros de 50pb [0,5 ponto] em agosto, contrário à nossa expectativa e à expectativa da vasta maioria dos participantes de mercado, sugere grande convicção sobre eventuais riscos advindos do cenário internacional para a atividade no País”, diz relatório do Credit Suisse.

O ajuste total de quatro pontos tem algumas premissas: forte desaceleração do PIB no 2º semestre de 2011; recuo da inflação em 12 meses até o 2º trimestre de 2012; e a resposta de política monetária concentrada em poucas reuniões. “Nosso cenário de corte de juros requer ligeira deterioração dos indicadores dos países desenvolvidos e de emergentes; alguma redução dos preços de commodities; interrupção do aperto monetário nos emergentes, com redução de juros em alguns países; diminuição da inflação IPCA em 12 meses a partir de setembro, com expectativas abaixo de 6% no fim do 1º trimestre de 2012; desaceleração da atividade no País; e comprometimento do governo de concentrar a resposta de política nos juros, com cumprimento da meta de superávit primário em 2011 e 2012.”

As equipes econômicas do Bradesco e do Itaú Unibanco consideraram “surpreendente” a decisão do BC. Em relatório, o Itaú diz que “a decisão surpreendeu não só o consenso dos analistas, como o mercado de juros futuros”.

O texto, assinado pelo economista-chefe da instituição e ex-diretor do BC, Ilan Goldfajn, e pelos economistas Aurélio Bicalho e Caio Megale, traz uma preocupação com a inflação. “O IPCA mostra muita rigidez em torno do topo da banda de tolerância (6,5%). A robustez do mercado de trabalho e o aumento do salário mínimo em 2012 sugerem que esse quadro não vai se alterar rapidamente. Salvo em um cenário de ruptura, o IPCA deve continuar acima da meta de 4,5% .”

O Itaú lembra que o Banco Central brasileiro é o primeiro a reduzir os juros entre os emergentes. “O Copom parece querer evitar 2008, quando preferiu esperar por evidências mais concretas dos efeitos da crise antes de mexer na Selic.”