Juro conta mais que valor da parcela

Pela primeira vez, o brasileiro passou a considerar o juro na hora de decidir tomar (ou não) um empréstimo, revela um estudo feito pela Serasa Experian e pelo Instituto Geoc, que reúne as principais empresas de cobrança do país, sobre o comportamento do consumidor de crédito.

O valor das taxas cobradas pelas instituições financeiras encabeça a lista dos fatores que pesam na disposição de assumir uma dívida, sendo citado por 64% dos mil entrevistados para a pesquisa “A voz do consumidor”, em sua sétima edição anual.

A preocupação com a taxa de juro desbancou, inclusive, o elemento “valor da parcela” – aquela que cabe no bolso -, até então o principal aspecto que o consumidor dizia levar em consideração para fazer um financiamento, tendo sido mencionado por apenas 36% dos entrevistados.

Fatores a serem considerados na hora de tomar um empréstimo

Mas, da teoria para a prática, lá se vai uma longa distância. A mesma pesquisa sobre o comportamento do consumidor de crédito mostra que 18% dos brasileiros não têm ideia de quanto gastam por mês. Pagamento do valor mínimo do cartão e uso abusivo do cheque especial são algumas das práticas que corroboram para o desequilíbrio financeiro.

A perda de controle dos gastos é, aliás, a segunda principal fonte de inadimplência, atrás do desemprego. Segundo a Serasa, 35% dos brasileiros possuíam, em agosto, dívidas em atraso. Do total de CPFs registrados no cadastro negativo do birô de crédito, 57% dos portadores têm dívidas com mais de um credor.

Na avaliação de Carlos Zanchi, vice-presidente do Instituto Geoc, houve, sim, uma evolução no comportamento do consumidor em relação ao crédito, evidenciada pela preocupação com a taxa de juro cobrada nos empréstimos. “Os primeiros resultados da educação financeira estão começando a aparecer”, diz. O nível de desconhecimento, porém, ainda é elevado.

A maior parte dos entrevistados (62%), por exemplo, consideram o uso do cheque especial como parte da renda. Cheque especial e cartão de crédito são as linhas para pessoas físicas que mais crescem no ano. “Apesar da percepção de que a taxa de juro é alta, o cheque especial e o rotativo são linhas facilmente disponíveis, por isso o consumidor acaba utilizando essas modalidades”, observa Zanchi.

Há ainda uma percepção de que o consumidor endividado se sente, no momento, perdido. Dos mil entrevistados, 40% não sabem o valor total das contas ou parcelas pendentes e 20% dos consumidores não sabem como resolver o problema do endividamento ou, simplesmente, não farão nada para resolvê-lo.