Juro para crédito cresceu 6 pontos

O economista Dércio Munhoz, ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), afirmou que, este ano, a taxa de juros para as famílias já cresceu, em média, seis pontos percentuais. E o endividamento se aproxima de 50% da renda disponível. “Significa que a situação agora é diferente da de 2008, quando o governo usou o crédito para aquecer o mercado interno”, avalia.

Munhoz fez as afirmações, ao analisar a informação da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), de que, em novembro, só os juros do cartão de crédito não subiram, ficando no inacreditável patamar de 238,3% ao ano.

“A renda média real do trabalho até 2009 era a mesma do início do Plano Real. Se a renda não permanente (crédito) não tem espaço para crescer, tampouco a renda permanente pode sustentar o mercado interno”, prossegue Munhoz, para quem o país sofre de “fragilidade generalizada”, apesar de não ter grande déficit público.

“O país paga R$ 160 bilhões por ano de juros, 50% a mais que na década passada. O superávit primário não cobre essa despesa. Serve apenas para transferir renda das famílias (que consomem 90% do que ganham) para o setor financeiro, de pouca ou nenhuma propensão a consumir. A situação fiscal é preocupante por isso, não pelo déficit nominal, que é baixo.”

Ele ressalva que a especulação com imóveis de luxo, títulos públicos e ações acaba influenciando positivamente a demanda, mas alerta para as consequências do “efeito riqueza” (sensação proveniente dos ganhos especulativos, que nos EUA resultou na crise do setor imobiliário).

“O governo fez um casamento pleno com o capital especulativo. Por sinal, existe também a renda permanente da intermediação financeira. Paralelamente, apostou no crédito e na valorização do real para segurar a inflação. Para tanto, não cobra impostos sobre os dólares que entram. Por outro lado, em 2009 o ganho da Selic somado à valorização do real chegou a 20%”, resume.