Mercado reduz previsão para a inflação

Analistas amenizaram a previsão de aumento de preços em 2012. Pesquisa semanal divulgada nesta quarta-feira, 22, pelo Banco Central (BC) mostra que a mediana das estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano caiu de 5,29% para 5,24%. Há um mês, estava em 5,29%, segundo a pesquisa Focus realizada com cerca de 80 analistas do mercado todas as semanas.

Ao contrário do movimento de alívio observado nas expectativas para os próximos meses, a aposta de alta da inflação em 2013 foi em sentido contrário e aumentou de 5% para 5,02%, ante 5% registrados quatro semanas antes. O IPCA é o índice usado no regime de metas de inflação, cujo centro está em 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos porcentuais para mais ou menos. Ou seja, com limites em 2,5% e 6,5%.

Boa parte do recuo das estimativas para a inflação em 2012 ocorreu porque o mercado está mais otimista com o IPCA nas próximas semanas. Para fevereiro, a previsão de inflação caiu expressivamente, de 0,55% para 0,48%. Para março, em igual tendência, a estimativa recuou de 0,46% para 0,45%, na segunda retração consecutiva. Há um mês, o mercado previa altas de 0,58% e 0,48%, respectivamente para cada um dos dois meses. Com esse recuo, a projeção suavizada para o IPCA nos próximos 12 meses caiu de 5,30% para 5,27%.

No grupo dos analistas que mais acertam as previsões na pesquisa Focus do BC, a mediana das previsões para o IPCA em 2012 no cenário de médio prazo caiu de 5,37% para 5,18%, na segunda redução seguida. Para 2013, queda de 4,88% para 4,76%. Quatro pesquisas antes, esse grupo apostava em altas de 5,41% e 5%, respectivamente.

IGP-DI

Pesquisa Focus mostra que a mediana das estimativas para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em 2012 caiu de 4,86% para 4,65%, na terceira redução seguida. Para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que reajusta a maioria dos contratos de aluguel, a previsão recuou de 4,78% para 4,62%. Há um mês, analistas apostavam em altas de 5,01% para o IGP-DI e de 5,00% para o IGP-M em 2012.

Para 2013, a aposta para o IGP-DI também recuou, e passou de 4,97% para 4,93%. Para o IGP-M do próximo ano, a expectativa foi mantida em 5,00%. Há quatro semanas, a previsão era, respectivamente, de 4,90% e 5,00% para os dois índices de inflação.

A pesquisa também mostrou que a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 2012 caiu de 5,21% para 5,02%. Há um mês, a expectativa dos analistas era de alta de 5,22% para o índice que mede a inflação ao consumidor na cidade de São Paulo. Para 2013, a mediana das estimativas subiu pela segunda semana seguida, de 4,83% para 4,88%, acima dos 4,75% estimados há quatro semanas.

Economistas mantiveram a estimativa para o aumento em 2012 do conjunto dos preços administrados – as tarifas públicas – em 4% pela quarta semana consecutiva. Para 2013, a previsão de alta dos preços administrados seguiu em 4,50% pela 106ª semana seguida.

Juros

Nada mudou nas previsões dos analistas para o comportamento da taxa Selic em 2012. De acordo com pesquisa Focus, o mercado manteve pela 14ª semana consecutiva a aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a taxa básica da economia, a Selic, para 10% ao ano em março. Atualmente, a taxa está em 10,50% ao ano. Portanto, o mercado prevê redução de 0,5 ponto porcentual na reunião marcada para os dias 6 e 7 de março.

Para 2013, a retomada dos aumentos do juro foi postergada. Se até a semana passada prevalecia a expectativa de que os aumentos começariam já em janeiro, na primeira decisão do ano que vem, a pesquisa divulgada hoje mostra que a previsão do primeiro aumento foi adiada para março. Nesse mês, o mercado espera que o juro deve voltar à casa de dois dígitos, quando subiria dos 9 50% para 10%. Em junho, o ciclo de alta terminaria, quando a taxa alcançaria 10,50%, patamar previsto até o fim de 2013.

PIB

O mercado financeiro manteve a previsão de crescimento da economia brasileira. De acordo com a pesquisa Focus, foi mantida pela segunda semana seguida a expectativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2012 deva apresentar expansão de 3,30%. Para 2013, analistas seguem com a aposta de crescimento de 4 10%. Há um mês, o mercado previa expansão de 3,27% e 4,25%, respectivamente, para cada ano.

O levantamento semanal mostra que a mediana das expectativas para o crescimento da produção industrial em 2012 caiu pela terceira semana seguida, de 2,70% para 2,50%. Quatro semanas antes, prevalecia expectativa de avanço de 2,94%. Para 2013, a expectativa de avanço do setor industrial manteve-se em 4% pela 11ª semana consecutiva.

Analistas reduziram ainda a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012, de 36,90% para 36,70%, ante 37% de quatro pesquisas atrás. Para 2013, a expectativa caiu de 35,50% para 35,05%. Há quatro semanas, estava em 35,80% do PIB.

Câmbio

O mercado financeiro manteve todas as previsões para o dólar em 2012 e 2013 na pesquisa Focus. De acordo com o levantamento realizado com cerca de 80 analistas, a previsão para a taxa de câmbio no fim de 2012 e também no fim de 2013 foi mantida em R$ 1,75. A previsão de dólar para este ano foi mantida pela segunda pesquisa seguida. Para 2013, a aposta segue inalterada há 11 semanas. Há um mês, o mercado esperava dólar a R$ 1,78 no fim de 2012.

Para o câmbio médio, o cenário é igual. A previsão de dólar médio em 2012 e também em 2013 é de idênticos R$ 1,75. Há um mês analistas previam câmbio médio de R$ 1,79 em 2012. Para 2013, porém, a expectativa segue inalterada há sete semanas.