Mercado teme França e Dilma previne base

Ontem as principais bolsas do mundo voltaram a registrar perdas superiores a 5%, e a França tornou-se foco de novos temores do mercado. A Bolsa de Paris, perdeu 5,45%, a Bolsa de Frankfurt fechou em baixa de 5,13%, Madri, de 5,49% e Milão, que foi a mais afetada, fechou em queda de 6,65%. As perdas aconteceram por causa da piora da percepção quanto à situação fiscal da França e seu possível impacto sobre os bancos dos países ricos, além da preocupação de um possível rebaixamento do rating francês. Como resultado, em Paris caíram o Société Générale (14,7%), o BNP Paribas (9,5%) e o Crédit Agricole (11,8%). Na Itália, o UniCredit e o Intesa Sanpaolo fecharam em baixa de 9,4% e de 13,7%, respectivamente. Na Bolsa de Madri, o Santander perdeu 8,3%. Em Londres, o Barclays teve declínio de 8,2%.

Na contramão, a Bovespa fechou em alta de 0,48% puxada pela melhora de commodities como o petróleo e pela resistência dos investidores a vender abaixo do valor patrimonial.

Para evitar mais efeitos da crise, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se ontem com as lideranças do governo no Congresso. O Planalto fez duas observações: o Brasil não está imune a um recrudescimento da crise que atinge a Europa e os EUA e o governo precisa da união de sua base política caso tenha que enviar medidas de urgência ao Legislativo para reduzir esses impactos.

Além de pedir respaldo político, Dilma reconheceu a necessidade de “estreitar as relações com os partidos aliados”, disse o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros. Durante a reunião, Dilma ressaltou que o País precisa se preparar para um agravamento da crise internacional. E reforçou que necessitará de uma base aliada coesa para aprovar eventuais medidas anticrise.

Para ampliar a blindagem do Brasil no médio prazo contra eventuais efeitos prolongados da crise, o governo brasileiro estabeleceu meta para o aumento dos investimentos no País, que estão por volta de 19% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção agora é elevar para 22,4% do PIB até 2014. No ano passado, o resultado foi de 18,4% do PIB. A meta faz parte do plano Brasil Maior, recém-anunciado, que envolve da indústria ao comércio exterior.