Mercados de capitais e de fundos veem ano escasso

Analistas e bancos esperam um ano difícil para o mercado de capitais e a indústria de fundos em 2012. As incertezas em relação à Europa devem provocar uma postura cada vez mais cautelosa por parte dos investidores, que devem procurar abrigo em ativos como dólar, ouro e títulos públicos por meio do Tesouro Direto.

Os gestores de fundos de investimento apostam em alternativas para evitar a migração para a renda fixa, como o fundo de capital protegido. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, prioriza o segmento, que já possui R$ 95 milhões em patrimônio total e a expectativa de atingir R$ 500 milhões em 2012.

O gerente-nacional de investidores corporativos da Caixa, Sérgio Dini detalha que a rentabilidade é limitada nesse tipo de fundo. “Se subir muito, não ganha os 80%, por exemplo, mas tem a garantia de não perder recursos em uma situação de queda.”

No mercado de capitais, de acordo com dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o número de operações diminuiu muito nos últimos três meses. Das 23 operações de renda variável, apenas uma foi realizada nos últimos três meses. “Vejo 2012 com enorme cautela”, avalia o presidente da Baker Tilly Brasil, Osvaldo Nieto.

Ele diz que o número de lançamentos deverá crescer somente a partir de 2013. “Há uma série de médias empresas brasileiras, com faturamento anual próximo de R$ 300 milhões, que precisam captar no mercado de capitais, mas essa preparação pode levar até um ano”, prevê Nieto.