Mesmo positivo, fluxo cambial mostra desaceleração em agosto

A saída líquida de moeda estrangeira pelo segmento financeiro do mercado primário de câmbio, verificada nos primeiros cinco dias de agosto, não se confirmou como tendência nos dias que se seguiram. O fluxo cambial líquido do segmento, que foi negativo em US$ 362 milhões até dia 5, se inverteu até dia 12 e virou superávit US$ 940 bilhões. Pelo segmento comercial, que já tinha registrado fluxo positivo, entraram US$ 6,636 bilhões no período, fazendo o resultado total de operações chegar a US$ 7,576 bilhões.

Os números foram atualizados ontem pelo Banco Central. Mesmo positivo e referente a cerca de meio mês apenas, o ingresso líquido de divisas pelo segmento financeiro nesses doze dias ainda foi, no entanto, muito inferior ao de julho, quando entraram por aí US$ 9,571 bilhões, já descontadas as saídas. O ingresso bruto também foi proporcionalmente menor que o do mês anterior, que chegou a impressionantes US$ 39,316 bilhões.

Fluxo cambial

Portanto, não há inversão de fluxo, mas há sim desaceleração, pelo que mostram os números parciais de agosto. Estão no segmento financeiro do mercado cambial primário compras e vendas de moeda estrangeira, entre bancos e clientes, relativas a todas as demais operações que não as de comércio exterior. Isso inclui, por exemplo, investimentos e empréstimos estrangeiros ao país, além de remessas e recebimentos de juros, dividendos e outras transferências.

Já o superávit proporcionado pelo câmbio das operações de comércio ultrapassou, em apenas doze dias, o de julho inteiro.

No mês passado, a diferença entre o que foi ofertado aos bancos por exportadores e o que foi demandado pelos importadores foi positiva em US$ 6,25 bilhões, US$ 383 milhões a menos do que já vê em agosto. A oferta gerada por exportações alcançou US$ 13,744 bilhões, ritmo que indica para o mês inteiro desempenho semelhante ao de julho (US$ 23,668 bilhões). As importações, por sua vez, geraram saídas de US$ 7,1 bilhões em doze dias. Em julho, essas saídas foram de US$ 17,415 bilhões.

No acumulado do ano, as compras e vendas de moeda estrangeira no mercado primário (entre bancos e clientes) já geraram superávit de US$ 63 bilhões. As operações relativas a comércio, nesse caso, contribuíram menos, com US$ 29,08 bilhões. As demais operações responderam por ingresso líquido de US$ 34,15 bilhões.

A sobra de moeda estrangeira no mercado primário em agosto permitiu ao BC fazer comprar líquidas no interbancário, reforçando suas reservas cambiais.

Pelo critério de liquidação, que tem dois dias úteis de defasagem em relação ao de contratação, foram adquiridos US$ 3,362 bilhoes, dos quais US$ 2,49 bilhões contratados já em agosto. As reservas do BC fecharam o dia 12 em US$ 351,08 bilhões.