Metade da população ainda livre de dívidas, indica pesquisa

O resultado da apuração das famílias brasileiras quanto a endividamento mudou em junho, em relação ao mês anterior. O percentual de famílias muito endividadas subiu de 8,5% para 9,2%, enquanto o daquelas que não possuiam dívidas caiu de 51,6% em maio, para 50,5% no mês passado. Os números foram divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por meio do levantamento Índice de Expectativa das Famílias (IEF).

Ainda de acordo com o estudo, aproximadamente 49,5% dos brasileiros têm dívidas, sendo que 9,2% estão muito endividados, 18,4% estão mais ou menos endividados e 21,9% estão pouco endividados.

A Região Centro-Oeste foi a que apresentou a maior taxa de famílias que não possuem dívidas, de 82,1% (frente aos 76,8% registrados em maio). Por sua vez, a Sudeste fica em segundo lugar, com taxa de 61,1%.

Segundo o estudo, cerca de 17,8% das famílias brasileiras afirmam que terão condições de quitar totalmente suas dívidas e 45,8% reconhecem que poderão quitá-las parcialmente. Já a parcela de famílias que responderam a pesquisa informando que não terão condições de pagar suas dívidas atuais foi de 33,6%.

A Região Norte foi o local com a maior taxa de famílias que não terão condições de pagar suas dívidas esteve mais alta, com 43,9%. Em seguida vem a Sul, com 44,8%, Sudeste, com 34,6%, Nordeste, com 31,1% e Centro-Oeste, com 17,4%.

Considerando-se o Brasil inteiro, 7,17% das famílias mostraram estar dispostas a tomar empréstimos ou financiamento com o objetivo de adquirir algum bem nos próximos três meses. A parcela foi maior que a registrada em maio (6,75%). Neste quesito, a Região Nordeste foi a de maior taxa apresentada, de 8,92%. A Norte, por sua vez, foi a que apresentou a menor taxa, com 1,67%, seguida de Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com 6,67%, 7,17% e 7,37%, respectivamente.

O valor médio da dívida dos brasileiros caiu 8,97% em junho, na comparação com maio, ao passar de R$ 4.772,14 para R$ 4.343,95. Frente a agosto de 2010, quando o índice começou a ser publicado, houve queda de 19,95%, uma vez que, no oitavo mês do ano passado, a dívida média do brasileiro estava em R$ 5.426,59.

Em relação ao peso da dívida no orçamento das famílias, em 22,7% dos casos, ela representa entre metade e toda a renda familiar mensal, mesmo índice para os valores que representam o dobro da renda. Em 21,2% dos casos, elas representam até cinco vezes a renda mensal.

Os dados mostraram ainda que, em 17,2% dos casos, as dívidas representam mais de cinco vezes a renda mensal e, em 16,2%, até metade da renda de toda a família.