Conjuntura do fomento mercantil

Tendo em vista notícias veiculadas por institutos de estudo e pesquisa, alguns aspectos relativos às perspectivas do comportamento da economia brasileira nos últimos meses devem ser destacados.

Em geral, o último trimestre do ano caracteriza-se como sendo um período em que convergem as dúvidas sobre o comportamento do consumo no final do ano e as expectativas possíveis para o 1º trimestre do ano seguinte.

Pelos dados preliminares, publicados pela mídia, as vendas no varejo para o fechamento do ano de 2011 deveriam registrar expansão entre 6% e 6,5%, tomando por base os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, caso nenhum fator excepcional ocorresse no período.

O contínuo aumento da massa salarial, em patamar próximo de 6%, provocada pelo nível de emprego e aumento da renda, além da oferta de crédito, estimula a manutenção de uma elevada propensão ao consumo. Essa tendência, porém, se desloca um pouco mais dos bens duráveis (aqueles que demandam mais confiança no longo prazo), para os semiduráveis.

De outro lado, é de registrar que a redução do nível da atividade, ocorrida no trimestre de julho/setembro de 2011, sem o crescimento do PIB, poderia ser revertida no último trimestre de 2011 (outubro/dezembro), em função do movimento das festas de final de ano.

Nos últimos meses, o risco de inadimplência tem mostrado tendência de leve crescimento por conta do aumento do consumo nos período anteriores, o que determina cautela adicional na análise e concessão de crédito como medida preventiva, gerando dificuldades adicionais para alguns segmentos (por exemplo: materiais de construção). A inadimplência afeta também, mais diretamente, os bens duráveis e semiduráveis, mais dependentes do crédito para desenvolver suas vendas (setor automotivo, linha branca, eletroeletrônico), por esse motivo, o governo alterou recentemente as alíquotas do IPI para alguns itens da grade de produção destes bens.

Isto não obstante, o conjunto desses elementos caracteriza a continuidade de um cenário positivo para a expansão dos negócios, mediante o crescimento orgânico e transações já existentes, desenvolvimento de novas formas, em especial, para atuação em mercados emergentes, implantação de novos canais de vendas, particularmente no comércio digital, e também novos conceitos e marcas para atendimento de segmentos e nichos que tiveram uma valorização de seu potencial de consumo.

Ou seja, em que pese à atual fase de transição e de pessimismo importado, principalmente do continente europeu, do repique da “primavera árabe”, que completou um ano, e do quadro atual da economia americana com eleições para 2012, é possível afirmar, com bom grau certeza, que as expectativas de curto prazo, para o nosso mercado, como também para boa parte dos setores produtivos do País, se mantém firmes e favoráveis, principalmente se o governo tiver condições de criar um clima cada vez mais propício e estimular os investimentos, como tem insistido em proclamar a Presidente Dilma Roussef.

Neste sentido, cabe colocar que o novo salário mínimo de R$ 622,00 promete alavancar o consumo em 2012. O reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 545,00 para R$ 622,00 – um aumento de R$ 77,00 – entrou em vigou no dia 1º de janeiro. O novo salário mínimo corresponderá a R$ 20,73 por dia e o valor pago pela hora de trabalho será de R$ 2,83.

De acordo com cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o aumento de 14,13% vai injetar R$ 47 bilhões na economia brasileira. Descontada a inflação estimada para 2011, o aumento real do salário mínimo deve ser de 9,2%. Ainda segundo o Dieese, 48 milhões de pessoas têm sua renda vinculada ao valor do salário mínimo e, portanto, serão diretamente beneficiadas com o aumento.

A expectativa é de que o governo também passe a arrecadar R$ 22,9 bilhões a mais devido ao aumento do consumo causado pelo reajuste.

Seja como for, é sempre auspicioso notar que o Brasil tem condições de continuar a ser, nos próximos anos, um dos cinco países do mundo com maior expansão do consumo interno e das vendas do varejo, continuando a atrair o interesse de operadores internacionais para investimentos na implantação ou aquisição de negócios, aumento o potencial competitivo do mercado.

Tais medidas terão reflexos na evolução dos negócios de uma clientela composta de mais de 150.000 pequenas e média empresas, que atuam em um diversificado mercado. Nossas empresas associadas, que investem R$ 81 bilhões na alavancagem do expressivo volume de vendas de sua clientela, necessitam estar tecnicamente capacitadas para pautar sua conduta nas melhores práticas de compliance, que lhes proporcionem a segurança jurídico-operacional e os ganhos de liquidez e rentabilidade indispensáveis a sua sobrevivência.

Com efeito, não posso deixar de recomendar às empresas associadas:

– Procurem desenvolver a sua operação dentro dos limites compatíveis com a capacidade de alocação de seus próprios recursos; – Trabalhem dentro dos parâmetros previamente definidos a suas empresas – clientes e sacados-devedores;

– Aprimorem os seus processos administrativos de controle de riscos e de prevenção de fraudes e

– Disponibilizem serviços que possam auxiliar a sua clientela na conquista de bons negócios e de novos mercados.

Todas estas previsões, devidamente sopesadas, trazem ânimo para admitir que o ano de 2012 oferece um cenário de oportunidades que as empresas associadas à Anfac não podem desperdiçar, cujo êxito, entretanto, dependerá da otimização de sua força de trabalho, quer pelo maior empenho na execução de suas tarefas, quer pela maior qualificação profissionais de seus gestores.

Por fim, todas as nossa empresas associadas devem tomar conhecimento destas ponderações, meditar e procurar colocá-las em prática para a garantia de seu sucesso.

Luiz Lemos Leite – Presidente da Anfac