País paga aqui o dobro do juro da Itália falida

Embora capte no exterior, para papéis com vencimento em 30 anos, a taxas 1,8 ponto percentual abaixo da italiana para bônus de dez anos, internamente os títulos brasileiros são negociados com juros acima de 11%, quase o dobro dos 6,7% praticados na Itália.

A dívida pública italiana equivale a 120% do PIB, sendo a quarta maior do mundo, enquanto a do Brasil se aproxima dos 65% do PIB. Na Europa, os juros pagos pela Itália só perdem para os da Grécia, que chegam a 28% ao ano. O país enfrenta séria crise de liquidez.

Com exceção dos Estados Unidos e do Japão, a Itália tem emitido e vendido aos mercados de capitais maior volume de debêntures do que todos os países da região, totalizando cerca de 1,6 trilhão de euros. “Não faz sentido pagar mais que a Itália, talvez seja pelo histórico e pela nossa instabilidade econômica”, avalia Carlos Thadeu de Freitas, consultor econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), acrescentando que são os juros internos que atingem o consumo, a produção e, principalmente o investimento.

Freitas descarta a alta da inflação como razão para os juros atuais. “Mesmo que a situação externa melhore muito, dificilmente cresceremos a taxas superiores a 4%. Portanto, segundo o próprio critério do PIB potencial, não há risco.” Ex-diretor da Dívida Pública do Banco Central, ele elogia o BC por baixar a taxa básica (Selic), mas cobra mudança na estratégia adotada no início do ano. “O cenário externo veio se somar às medidas tomadas para desacelerar a economia. Por isso é preciso mudar a estratégia.”

Com os juros pagos pelo país se aproximando dos 7% ao ano, a Itália fica ainda mais perto da moratória. Os 7% são citados por analistas ouvidos pela BBC Brasil, já que Portugal e Grécia foram ao FMI quando chegaram àquele patamar.