Pequenas e médias empresas são mais vulneráveis a oscilações do mercado e devem melhor qualificar a sua gestão

Protestos de títulos aumentam em volume e valor, e representam 24% da inadimplência das pessoas jurídicas

Conforme indicadores da Serasa Experian, a inadimplência das pessoas jurídicas cresceu 9,4% entre abril e maio, o que leva a uma alta de 13,2% registrada neste ano. No mesmo período, os protestos de títulos aumentaram 19,4% e os títulos vencidos têm um peso de 24,3% na inadimplência das empresas. “Não há nenhuma quebradeira em massa, mas muitas empresas estão em dificuldades, particularmente as médias, que sofrem com o desaquecimento do mercado doméstico, o crédito mais seletivo e a inadimplência de consumidores ou clientes”, constata Carlos Henrique de Almeida, economista da Serasa Experian. Entre os fatores sazonais, ele destaca a brusca variação do câmbio, em um momento em que várias empresas tinham débitos em moeda estrangeira.

O economista enfatiza que a Serasa Experian não faz projeções, mas, com base em estudos do Banco Central, vislumbra uma redução da inadimplência nos próximos meses. Entretanto, ele vê uma tendência crescente em relação aos protestos de títulos, assim como de requerimentos de falência. “Isso hoje é muito utilizado como instrumento de pressão para cobranças”, esclarece. Nesse quesito, as pequenas e médias empresas também sentem mais o impacto – dos 158 requerimentos de falência em maio, apenas 24 eram referentes a grandes companhias.

Outro estudo divulgado recentemente, a Sondagem Industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria), constatou que a preocupação dos dirigentes empresariais com a inadimplência é inversamente proporcional ao porte da companhia.

Segundo o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas, o valor médio dos títulos protestados de janeiro a maio foi de R$ 1.914,33, a 11,1% do que nos primeiros cinco meses do ano passado.

Em um ciclo vicioso, a inadimplência acaba dificultando até o acesso inicial ao crédito bancário, inclusive para os bons pagadores. “Na composição do spread bancário, 29% se devem a inadimplência”, dimensiona Carlos Henrique de Almeida. O economista Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria, avalia que pelo menos um terço do spread se justifique por “baixa qualidade das garantias e visões anticredor do judiciário”.

Ao mesmo tempo em que as dificuldades do setor produtivo acrescentam risco ao fomento mercantil, Luiz Lemos Leite, presidente da ANFAC, ressalta a importância da contribuição do factoring para a solvência de seus clientes. Dados preliminares da ANFAC relativos ao comportamento da inadimplência do mês de junho sinalizam recuo ainda que tênue.

“Diante deste cenário, a ANFAC recomenda a suas empresas associadas prudência em suas operações, procurando desenvolvê-las dentro dos limites compatíveis com a capacidade de alocação dos seus próprios recursos e disponibilizando serviços que possam auxiliar a sua clientela na conquista de bons negócios”.