Piora previsão do mercado para avanço do PIB neste ano

O cenário econômico brasileiro, mês a mês, está a confirmar que a economia brasileira deve crescer entre 3,5% e 4% neste ano. De acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado ontem, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 3,68% no acumulado de 2011 até julho, na série dessazonalizada. Em 12 meses até o sétimo mês deste ano, o indicador aponta aumento de 4,52%. E o PIB mensal Itaú Unibanco (PIBIU) anunciado também nesta quarta-feira mostra que nesse período houve alta de 4,8%, mas que mantém trajetória de desaceleração.

Para os 33 analistas consultados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para formação de estudo divulgado ontem, a economia brasileira deve se expandir 3,5% em 2011, uma queda na perspectiva se comparada à pesquisa anunciada no mês passado – alta de 3,9%. “Há uma piora nas expectativas por conta do cenário externo, principalmente influenciado pela crise fiscal dos países europeus”, explica o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg.

Segundo ele, a falta de solução para as dívidas soberanas de alguns países da Europa já impacta a indústria brasileira, que puxa a desaceleração da economia nacional. A previsão para o PIB Industrial, segundo a mediana feita pela Federação, passou de expansão de 4% para 3,9%. Para serviços, recuou de 4% para 3,9%. E, com relação ao PIB Agropecuário, caiu de 4,3% para 4,2%.

Já o professor de Finanças da Business School São Paulo (BSP), Daniel Miraglia, ao analisar o IBC-Br de julho, comenta que é mais provável que a economia cresça acima de 3,5%. “Um agravamento da crise externa vai impactar mais a economia a partir de 2012”, diz.

Os analistas entrevistados pela Febraban esperam que o PIB brasileiro avance 3,8% no ano que vem, retração ante alta de 4% projetada na pesquisa de agosto.

Por outro lado, de acordo com o indicador do BC, o PIB de julho voltou a subir 0,46%, na série dessazonalizada, na comparação com o mês anterior, que mostrou queda 0,25%. Com relação ao mesmo mês do ano passado, o avanço foi de 3,37%.

O PIB calculado pelo Itaú Unibanco aumentou 0,5% em julho na comparação com o mês anterior, livre de efeitos sazonais, e alta de 2,6%, referente ao mesmo mês de 2010.

Para agosto, a prévia do PIB mensal Itaú Unibanco aponta para queda de 0,4% em agosto na comparação com julho, após ajuste sazonal, e crescimento de 3,4% em relação a agosto de 2010. “Indicadores preliminares apontam para fraqueza da atividade econômica em agosto. Os dados disponíveis sugerem um pequeno recuo da produção industrial e declínio das vendas no varejo ampliado”, analisa Aurélio Bicalho, economista do banco.

Inflação

Apesar de a economia dar sinais de desaceleração, para os especialistas a inflação deve fechar próximo do teto da meta, de 6,5%. A pesquisa da Febraban mostra que os analistas apostam que o IPCA vai terminar em 6,4% neste ano, ante previsão anterior de 6,3%. “Também houve uma piora nas expectativas por conta do aumento dos preços dos alimentos e em serviços que puxa a inflação no País”, diz Sardenberg. “Somente se ocorrer um maior agravamento da crise externa é que o viés no Brasil será desinflacionário”, acrescenta. Para o professor da BSP, a inflação deste ano seguirá pressionada. “Isto leva a uma incógnita de como será em 2012. Estou em dúvida o que o BC vai fazer para resolver essa alta da inflação no ano que vem. Pode até subir de novo a taxa [básica de juros] Selic” comenta Miraglia.

A pesquisa da Febraban aponta que a previsão dos analistas é que a Selic termine este ano em 11%. Atualmente, a taxa está em 12%, e em outubro e em novembro devem ocorrer as duas últimas reuniões de 2011 do Comitê de Política Monetária (Copom).

Anteriormente a projeção era de fechamento de 12,75% ao ano da Selic.

Contudo, a última decisão do BC – de reduzir em 0,5 ponto percentual a Selic – surpreendeu o mercado. Desta forma, para 2012, a Febraban mostra que a taxa está prevista para fechar em 10,63%.